Chiquinho Leite Moreira é um dos mais respeitados jornalistas brasileiros e conhecido formador de opinião. Agora em 2009 ao completar o seu 25o Roland Garros lança o blog tenis.com Chiquinho, com bastidores, história dos principais torneios mundiais, informações diferenciadas, e opiniões abalizadas.


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O buraco é mais embaixo

          Certa vez, Roger Federer, respondendo ao sarcasmo de um jornalista inglês, disse que poderia perder para Andy Murray em qualquer torneio, mas num Grand Slam a situação seria bem diferente. Até o jogo desta terça-feira pelo RR do Masters Cup, o talentoso tenista escocês ostentava um respeitável retrospecto de seis vitórias contra três derrotas (agora quatro). Por ironia do destino, a única vez que os dois se cruzaram num Grand Slam, no US Open de 2008, a vitória foi de Federer.

          Agora no Masters Cup de Londres, o jogo não foi em melhor de cinco sets (o que aliás acho que seria bem interessante para esta milionária competição), mas a importância do encontro levou Roger Federer a produzir alguns momentos de invejável genialidade. Tanto no 2.o set como no 3.o, o tenista suíço mostrou todo o seu talento, mesmo num momento do ano em que não se poderia exigir o máximo do número 1 do mundo. Venceu o jogo e alcançou seu propósito.

          Até acho que Andy Murray pode reagir e conquistar o título do Masters Cup, num torneio em que tem todo o apoio da torcida. Mas a partida desta terça-feira tinha uma importância fundamental para Federer. E diante da possibilidade de fazer história, não iria falhar. Hoje o suíço garantiu a condição de número 1 pelo 5.o ano consecutivo igualando-se a marca de Jimmy Connors, enquanto Pete Sampras alcançou a façanha por seis anos, de 1993 a 98. Vejo esta marca de Federer com carinho. Afinal, Jimmy Connors para mim tem uma importância sentimental muito grande. Quando comecei a viajar pelo circuito internacional em 1985, ‘Jimbo’ era o grande artista das quadras para mim. Assistir aos seus jogos transformava-se num prazer e tanto, mais até do que John McEnroe. Não sei explicar muito bem o motivo, mas admirava seu comportamento em quadra, seu estilo, a maneira e arrastar os pés, batendo a ponta do tênis no chão, como se estivesse desleixado, sem interesse no jogo. Mas logo vinha o bote. Sua astúcia era tamanha que, de repente, conseguia uma jogada fenomenal, para comemorar com vibração e daí para frente transformar o adversário numa presa fácil. Bons tempos, hein...pelo menos para mim.

 

 

por Chiquinho Leite Moreira às 22h18
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O que acontece com Nadal?

     O que será que está acontecendo com Rafael Nadal? O tenista espanhol já não consegue mais apresentar as suas espetaculares atuações e, de forma humilde, admite não se sentir em condições de brigar pela posição de número 1 do mundo neste Masters Cup. Se não estiver se fingindo de morto - o que é pouco provavel -  é evidente que o Touro Miura está fora de seu perfil normal. Afinal, ele desde o primeiro ponto de uma partida joga com a intensidade de quem está disputando a final de uma Copa do Mundo. O fato de sofrer a segunda derrota do ano para Robin Soderling, para mim, não é o mais importante. O tenista sueco joga um tênis capaz de surpreender qualquer adversário. O que me assusta é como Nadal perdeu o jogo. Suas bolas estavam curtas, seus golpes não 'machucaram' o adversário e, como dizia Guga nos tempos em que tentava voltar a seu melhor tênis, seus golpes estavam 'sem pimenta'.

     Não sei o que acontece com Nadal. As informações de bastidores são as de que está oito quilos mais magro. Esta perda de peso pode dar margem a inúmeras especulações, mas apesar de o próprio Nadal reclamar de uma perseguição implacável das autoridades do anti doping, não se pode deixar de considerar que o tenista espanhol precisaria aliviar um pouco a pressão sobre as articulações e especialmente os joelhos, por causa de uma tendinite. Nadal ainda pode se recuperar neste Masters Cup. O sistema de disputa permite isso. Afinal, quem não lembra do Masters de Lisboa em 2000, quando Guga perdeu na estréia para Andre Agassi, deixou a quadra abatido, cheio de dores e dúvidas. Não se sabia se teria condições de jogo para a partida seguinte. Mas como que por um milagre conseguiu não só conseguiu jogar, como passou por adversários como Kafelnikov, Pete Sampras e até vingou-se de Agassi. A semana em Londres ainda promete muito.

por Chiquinho Leite Moreira às 09h24
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Masters Cup pode vir ao Brasil... não é sonho

        Este milionário evento que começa neste domingo em Londres, o Masters Cup, pode vir ao Brasil sim... por que não...não é um sonho. Nos últimos tempos a ATP tem demonstrado uma tendência de colocar este torneio nas cidades, ou países, que se preparam para organizar os Jogos Olímpicos. Assim aconteceu com Sydney, na Austrália, depois com a China, com o Masters sendo jogado em Xangai e a Olimpíada em Pequim, e agora se repete com Londres, sede dos Jogos de 2012. Para o Rio 2016 não seria qualquer surpresa ter os oito melhores tenistas da temporada jogando num ginásio carioca. Só para esclarecer...os US$ 5 milhões distribuídos em Londres – assim como foi em Sydney e Pequim – e também em Hannover, Alemanha, anos antes -  são bancados pela ATP – e os organizadores locais arcam com despesas gerais, mas bem viáveis. Afinal, vejam só, neste evento não há sequer a preocupação de se pagar os cachês de jogadores como Federer e Nadal, isto não faz parte da regra do jogo para o Masters Cup. A premiação cobre tudo.

          Além disso, o Masters Cup não exige um complexo de tênis repleto de quadras. Basta apenas uma boa quadra de jogo e outra de treinamentos. Um bom hotel, logística simples e fácil para uma cidade como o Rio de Janeiro.

          Só para se ter uma idéia de como seria tranqüilo ter o Masters Cup no Rio, faço uma comparação com outro esporte, agora também olímpico e que exige grandes investimentos. Neste último fim de semana estive no São Fernando Golf Club, na região de Cotia, São Paulo, dono de um exuberante campo de golfe. Lá encontrei Stevinho – Stephen Henry Bergner – amigo de longa data, desde os bons tempos dos grandes torneios de Itaparica, onde empresários visionários como Ricardo Bernd abriram as portas para jovens revelações como Andre Agassi, concedendo wild card (convite), na época uma promessa americana contrariando todas as críticas. Agassi foi campeão do torneio e depois... bem, não é necessário escrever mais nada. Hoje Itaparica ainda revive àquela atmosfera com um evento esportivo social dos mais interessantes com o Kia Summer, num exemplo de bom gosto e boa organização. São coisas assim que poderemos ver no Rio 2016, ora, mais uma vez por que não?

           De volta a conversa com o bem informado e homem de opiniões fortes, o meu caro Stevinho disse-me que o mundo do golfe está sonhando com o Rio. Ele aposta que para os Jogos de 2016 serão construídos três novos campos...prestem atenção, três novos campos (o que significa um enorme investimento) e não dois que seriam usados para os torneios olímpicos de golfe masculino e feminino. É que um deles seria para um evento pré-olímpico a President’s Cup, um milionário torneio de golfe, mais ou menos igual ao Masters Cup, e com uma importância tão grande que costuma contar com o presidente dos Estados Unidos na tacada inicial da competição. Mas aí todos perguntariam por que um terceiro campo? A razão, segundo explica Stevinho, é simples: o Rio por quatro anos, ou seja, até a Olimpíada de 2020, seria a única cidade do mundo a contar com dois campos olímpicos. E golfistas, esportistas, amantes do esporte pagariam o que for preciso para pisar nestes campos ‘sagrados’ olímpicos. Jogadores e turistas de todo o mundo iriam querer jogar e entrar nestes templos...os únicos campos olímpicos depois de cem anos de ausência do golfe dos Jogos. Se toda esta vibração, contágio toma conta dos amantes do esporte, no tênis, em que seria necessário apenas um ginásio e uma quadra montada, o Masters Cup ganharia o mesmo tom e volto a repetir, não seria nenhuma surpresa ver as grandes estrelas do tênis jogando no Brasil já alguns anos antes do Rio 2016...e que todos sejam benvindos.

por Chiquinho Leite Moreira às 22h20
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Jogar o Masters é um privilégio...em vários aspectos

          Os melhores jogadores no planeta entram para a batalha final (como está sendo chamado pela ATP) a partir de domingo na disputa do Masters Cup, em Londres. Esses oito guerreiros são uns privilegiados. Não apenas por terem talento superior, um tênis invejável e acumularem fama e fortuna com todos os méritos. Mas o melhor de tudo é o tratamento diferenciado que recebem na pontuação do ranking. Afinal, enquanto os ‘mortais’ (ou sejam, todos os outros jogadores) somam pontos em um total de 18 torneios, estes sim... privilegiados do Masters Cup acumulam 19 resultados. É uma vantagem é tanto, muito difícil de ser descontada.

          Reparem: nas estatísticas de ranking onde aparece a indicação de ‘best 18 stats’ para os jogadores que disputaram o Masters Cup do ano passado o total de torneios é de 19, embora tudo leve a pensar que não há nada de diferente. É preciso contar um por um.  Pode parece estranho, mas entrem nos números oficiais da ATP e vejam com seus próprios olhos. O site stevegtennis demonstra esta, vamos dizer assim, aberração de forma bem clara.

          Certa vez, ainda nos bons tempos de Guga, um colega da Folha de S. Paulo surgiu com uma boa. Muito afeito aos números, ele em certo momento – sentava-se ao meu lado em alguns torneios – desabafou. “A ATP quando fez a corrida dos campeões pegou o livro de regras rasgou e jogou no lixo”. Uma pessoa tão exigente com números, estatísticas como este competente repórter, não poderia mesmo se dar por satisfeito em ter de escrever o certo por linhas tortas, ou melhor, por contas erradas.

          Este dado até mesmo curioso, para ser bem simpático, não tira o brilho da competição. Roger Federer vai ter a oportunidade de vingar-se de alguns de seus mais cruéis adversários, como Murray – que tem retrospecto de 6 a 3 contra o suíço – ou mesmo Del Potro que venceu o número 1 do mundo recentemente na final do US Open. Se por um lado o gosto da vingança aguça a motivação de Federer, por outro existe também a ameaça dele perder a liderança, caso não se classifique para as semifinais. Sua chave é difícil, assim como é também a de Nadal. Afinal, estarão em ação oito tenistas privilegiados...

por Chiquinho Leite Moreira às 16h51
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Revelações de Agassi são só a ponta do iceberg

          O assunto pode parecer requentado. Mas ainda é bem atual. Afinal, as revelações de Andre Agassi no livro autobiográfico ‘Open’ são apenas a ponta do iceberg. Ainda irá gerar muitas discussões e outras revelações importantes no cenário do tênis mundial. Não tive a oportunidade de comentar o caso neste espaço na época do lançamento do livro por uma série de fatores. O importante é que estou feliz com esse reencontro. Já expressei minha opinião em diversas participações nos programas do Bandsports, como o Primeiro Tempo, sempre bem levado por Elia Júnior, e o Magazine Bandsports comandado pelo genial e talentoso Sérgio Patrick.

          Para quem viu sabe que considero as revelações de Agassi no livro como uma quebra de pacto. É isso mesmo. Muitos jogadores estão furiosos com Andre Agassi, pois ele acabou levantando suspeitas sobre todos, já que a ATP não o puniu como deveria. O caso mostra que a ATP - como uma associação de classe - está mais para passar a mão na cabeça dos tenistas do que propriamente tomar atitudes contra eles.

          Nos dias de hoje o controle antidoping foge das mãos da ATP ou mesmo da WTA. A Wada – agencia mundial – está responsável por isso. E reparem em certos detalhes. Rafa Nadal está furioso com as exigências atuais. Em Roland Garros este ano lembro bem de sua entrevista logo nos primeiros jogos, reclamando que não podia sequer ir jantar com amigos, quando estava de folga, que logo vinha um pedido para apresentar-se ao antidoping. Agora, a WTA também faz o mesmo tipo de reclamação e tenta impedir os exames no off season, ou seja, fora das competições. Ora, parece um pouco estranho que um esporte limpo, como o tênis, apresentar tantas reclamações justamente a um controle eficiente mundialmente comprovado, como no caso da Wada.

          É por isso que as revelações de Andre Agassi estão bem quentes ainda, com capítulos cada vez mais apimentados e que, certamente, irão gerar ainda discussões, polêmicas e outras revelações surpreendentes.

por Chiquinho Leite Moreira às 12h29
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Rio Olímpico abre portas para grande torneio

          O tênis revelou uma sintomática tendência nos últimos tempos. O país sede dos Jogos Olímpicos leva também um grande torneio. A China organizou o Masters Cup, até a realização da Olimpíada de Pequim, e agora Londres tem seu primeiro ano do Masters Cup. Esta não seria a primeira vez que o Brasil se candidataria para promover o torneio dos oito melhores da temporada. Houve uma época em que o português João Lagos tentou organizar o evento em São Paulo. Não deu certo e Guga Kuerten foi fazer a festa em Lisboa 2000.

          Sem otimismo desvairado, o Rio tem condições de realizar o Masters Cup. O local já existe, como o Maracanãzinho ou mesmo a bela arena multiuso da Barra, onde se disputou recentemente o Rio Champions. Os investimentos também agora estão prósperos, mas o melhor de ser a sede de uma Olimpíada seria mesmo ter um grande centro de tênis. Um complexo, sem gigantismo, mas com um bom estádio, algumas quadras secundárias, estrutura para público e conforto para jogadores. E então um torneio menor que o Masters Cup, estaria de melhor tamanho para o Brasil e por que não uma competição combinada – chaves para homens e mulheres - como vários torneios atualmente?

          Este lugar seria a casa do tênis, com possibilidade de uso para o ano todo, como uma espécie de centro de treinamento e inclusive aberto a ações sociais. Algo bem longe do que foi aquela coisa do Pan Americano, que nenhuma boa herança deixou para o tênis brasileiro.

por Chiquinho Leite Moreira às 18h19
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Olimpíada no Rio pode ser a salvação... por que não?

 

          O Rio está prestes a ganhar a sede da Olimpíada de 2016. Tem muitas chances pelo que se ouve. Pelo menos tive de concordar com as argumentações de bastidores nestas últimas semanas. Por isso, respeito a torcida a favor, assim como a contra. A discussão é ampla, mas a Olimpíada pode ser sim a salvação para o tênis brasileiro... por que não?

          É bom lembrar que a China não tinha qualquer tradição no tênis (embora fosse imbatível no tênis de mesa) e assim que Pequim recebeu a indicação para ser sede da Olimpíada de 2008, iniciou-se um programa de desenvolvimento de esportes olímpicos, entre eles, é lógico, o tênis, e hoje podemos ver diversas tenistas chinesas de relativo sucesso no circuito da WTA.

          Com a possível indicação do Rio de Janeiro, as modalidades olímpicas tendem a ter um novo tratamento. A cultura esportiva brasileira pode ganhar um grande desenvolvimento e os praticantes, apaixonados por esportes como o tênis deixem de ser marginalizados, como acontece atualmente em que a grande mídia só olha para o futebol. A própria imprensa terá de abrir seus olhos. Afinal, um país olímpico vai exigir uma cobertura mais abrangente. Não é mesmo engraçado que a gente só veja o judô a cada quatro anos. De repente, em razão do alto nível dos judocas brasileiros, começamos a ouvir gritos de koka, yuko, wazari e ippon, como se fossem gols, sem que muita gente, como eu, saiba exatamente se o brasileiro está ganhando ou perdendo – se o gol foi nosso ou deles - e tenho a impressão que isso também acontece com o locutor.

          Existe uma verdade universal que se aplica bem ao esporte. Não se gosta daquilo de que não se conhece. Sou um apaixonado pelos esportes. É lógico que gosto de futebol, mas na infância nadava cinco vezes por semana, participava dos campeonatos estaduais e até hoje paro para olhar simples treinamentos. No último fim de semana vi com os olhos arregalados uma partida de pólo aquático, no Clube Paineiras, pelo Estadual. Com o tênis aconteceu o mesmo, embora minhas raquetadas jamais possam ser comparadas com as braçadas. Passei a acompanhar o basquete. Viajei o mundo (Europa, Estados Unidos, Extremo e Médio Oriente)  com as equipes do Sírio – Marquinhos, Oscar, Marcel, Maury, Carioquinha – e também com a do Monte Líbano – Israel, André, Pipoca - . Depois acompanhei o vôlei. Andei por diversas quadras com o Banespa. Vi o nascimento, por exemplo, do Ricardinho, e aprendi a gostar ainda mais do esporte com as ‘aulas’ de Montanaro e as instruções do técnico Cebola. Certa vez, fui cobrir o sul americano de Rugby, no Uruguai – esporte, ao lado do golfe, candidato a uma das duas vagas de modalidade olímpica -  e não perco as transmissões de copas européias e, se muita gente não sabe, o mundial de Rugby é um dos maiores eventos do planeta. No golfe andei pelos lindos campos do Brasil há mais de 20 anos. O Estadão patrocinava vários eventos nacionais e internacionais e ainda hoje fico cinco, ou seis horas, vendo as transmissões do PGA pela ESPN, torcendo e vibrando com grande emoção. E acredito no slogan do golfe...”jogou virou paixão”. Na época para não escrever ‘besteiras’ o argentino Eduardo Caballero colocou-me um taco na mão e confesso que gostei quando disse com seu forte sotaque...você tem sensibilidade... Por tudo isso, sei que existe um forte preconceito ao desconhecido, a tendência de desdenhar, de ironizar. Lembro de uma história do André Sá, que quando criança ia treinar de ônibus, e estranhava quando perguntavam se ele tocava violino, pois sua raqueteira fazia lembrar o instrumento musical.

          Hoje muita mais gente sabe a diferença de uma raquete para um violino, mas a Olimpíada no Rio pode ajudar a acabar com a cara de elitista, de restrito, ou até mesmo esnobe para alguns esportes. Afinal, uma medalha do tênis vale tanto quanto a do futebol.

por Chiquinho Leite Moreira às 15h23
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Com os olhos voltados para o Oriente

          Nos últimos tempos, o tênis voltou seus olhos para o Oriente. A idéia de desenvolver a modalidade nos quatro cantos do planeta deu o impulso inicial, mas não há como negar que a força da grana deu peso ao circuito e levou as grandes estrelas para – vamos dizer assim – o outro lado do mundo. A partir desta segunda-feira com torneios como os de Bangcoc ou Kuala Lumpur começa este pequeno circuito de cinco semanas, com a atraente premiação de mais de US$ 10 milhões no total de todas as competições, envolvendo duas na China (Pequim e Xangai), além de Tóquio.

          O prêmio é bom, os hotéis também, a comida não sei...O que eu sei e vocês também é que tanto Roger Federer como Rafael Nadal não irão estar nestas competições. Ambos alegando problemas físicos desistiram deste tour oriental. Nos primeiros anos deste circuito as principais estrelas do tênis faziam qualquer sacrifício para participar, a ponto de Roger Federer declarar que Tóquio e Xangai são dois de seus torneios preferidos. Houve até um Master Cup de Xangai em que Nadal viajou horas e horas e apareceu em quadra apenas para dizer que não poderia jogar e justificar sua ausência, devido a uma lesão.

          A dúvida é a de que até quando os orientais irão pagar caro para não ter em ação os principais nomes do tênis. Quando havia ainda a expectativa pela Olimpíada de Pequim tudo valia, todos os investimentos eram justificáveis.

          Esta época do ano para o tênis sempre caracterizou-se por torneios sem muito charme, na minha opinião. Não foi por acaso que a temporada européia de outono e inverno transferiu algumas datas, como estas próximas cinco semanas, para o Oriente. Torneios como os de Stuttgart e o de Madrid deixaram de existir. O primeiro perdeu a data e o segundo ganhou um lugar na charmosa temporada européia de quadras de saibro.

          O clima destas competições de outono e inverno não é nada agradável. Frio, neve e só lugares fechados. Nos tempos do Masters Cup de Hannover, na Alemanha, pelo menos a mídia caiu nos primeiros anos em um hotel sensacional, com uma academia espetacular, uma piscina coberta das mais agradáveis e o catering do evento era da responsabilidade  de Íon Tiriac, ex-tenista e que se especializou em promover bons torneios, conhecido pela excelência de seus eventos. Sua assinatura é sinônimo de boa organização. Ainda assim, os tenistas não gostavam muito da idéia de andar pelo frio, dividir quadra para treinar (nos torneios indoors são poucas quadras disponíveis) e lembro que Pete Sampras, certa vez, só disputou esta temporada européia, pois queria terminar o ano como número 1 e esta condição estava ameaçada por Marcelo Rios. Por ironia, o tenista chileno encerrou cedo sua temporada, para cuidar de uma lesão, e deu de presente a posição de número 1 do mundo para o norte-americano. Mais tarde, Sampras confessaria que se soubesse que Rios não iria jogar todos os torneios também teria desistido.

          Enfim, toda essa situação me fez lembrar de um poema de Vinicius de Morais...em que pode traduzir esta relação, mas mantendo o tom misterioso...

 

Teu rosto é como um Templo

Voltado para o Oriente

Remoto como o Nunca

Eterno como o sempre

 

Retrato de Maria Lúcia – Vinicius de Morais

  

Em tempo: recebi e mail do meu amigo suíço, Rene Stauffer – autor do livro de Federer – com um link em que o tenista demonstra todo o seu cansaço...vejam...: http://www.youtube.com/watch?v=-QFE3qP2ZS0

por Chiquinho Leite Moreira às 22h54
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Não há droga capaz de produzir uma esquerda como a de Henin

          Os rumores se confirmaram e Justine Henin anunciou pela rede de tevê belga de língua francesa, RTL, sua volta ao circuito profissional, apenas 16 meses depois de ter se decidido pela precoce aposentadoria. A sua saída do tênis, como número 1 do mundo, com 25 anos e apenas uma semana antes de defender o título de Roland Garros, em Paris, foi intrigante e deu origem a várias especulações. A principal delas é que teria sido advertida pelo uso de algumas substâncias dopantes, em razão de seu físico muito fraco, e que sem esta ajuda não conseguiria manter o mesmo nível de jogo.

           Dá para entender como ficou o ambiente em Paris com essa decisão de Henin. Era o assunto do dia e imagine estar no meio das pessoas mais bem informadas do mundo do tênis. As sugestões de que a tenista belga teria usado drogas se fortaleciam pelas argumentações. Afinal, Henin naquele ano vinha de resultados decepcionantes. Perdeu na Austrália para Maria Sharapova por 64 e 60, caiu diante de tenistas como as italianas Karin Knapp e Francesca Schiavonne e tomou 62 e 60 de Serena, em Miami. Tudo seria resultado de sua incapacidade de manter o nível técnico e a tentativa de jogar sem ajuda extra teria mostrado a ela que não seria mais a mesma jogadora. E para não ver o seu nome envolvido em escândalo teria optado pela aposentadoria.

          No caminho para Roland Garros, na tradicional navette do Pierre & Vacance, estes comentários sobre Henin provocaram uma das reações das mais sintomáticas  de meu amigo croata, o jornalista Neven Berticevic. Com sua voz forte e tom imperativo determinou: “Não há droga que seja capaz de produzir uma esquerda como a de Justine Henin.” Ora, não há mesmo como discordar de Neven e Henin nessa sua volta terá a oportunidade de acabar com rumores, de mostrar a sua versão dos fatos, de que é e sempre foi livre de doping.

          Para o mundo do tênis, felizmente, não só esta esquerda sensacional, de uma mão apenas que admiro tanto – assim como a de Cedric Pioline, Arnauld Boetsch e Guga Kuerten - , vai estar de volta ao circuito profissional, mas todo o maravilhoso jogo deste tenista belga, fraquinha sim, pequena, mas dona de um tênis espetacular.

por Chiquinho Leite Moreira às 15h23
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Nico fez a diferença, assim como Guga pode fazer

         Com 33 anos e a experiência de quem já esteve no grupo dos top ten, Nicolas Lapentti fez a diferença ao marcar os três pontos para a equipe do Equador. E como escrevi na coluna de ontem ‘A espera de um milagre”, que não aconteceu, Guga Kuerten pode fazer agora a diferença. É claro, não mais como jogador, mas sim no comando do time brasileiro. Acho que é só uma questão de tempo. Afinal, por agora não há mais nada mesmo para o Brasil na Davis, só próximo ano. Só cometi um equívoco...disse que Guga vai ter de abandonar sua boa vida de play boy, mas a verdade ele terá de deixar de lado suas pretensões de ator, para voltar ao cenário onde se consagrou, e com certeza, tem melhores performances, a quadra de tênis.

          A idéia de assumir uma posição na equipe da Davis em um futuro próximo, sem, é lógico, minar o trabalho de Francisco Costa, foi confirmada pelo próprio Guga neste domingo em uma entrevista para Dácio Campos, no SporTV. Mas para quem tem faro, a ida de Guga para Porto Alegre, no confronto com o Equador, com certeza não foi apenas para torcer pelo Brasil ou rever o amigo Nico Lapentti. Já foi para iniciar seu trabalho...nos bastidores conversou com os tenistas, passou instruções e deu os primeiros passos para sentir o ambiente do qual se afastou há mais de dois anos.

          Pelo que conheço, Guga é um cara exigente. Sempre foi muito dedicado e sério nos treinamentos, apesar da fama de surfista. Certa vez, estive na academia do Larri Passos para acompanhar uma pré-temporada de Guga e vários outros jogadores. Larri já havia me alertado para o tipo de trabalho que fazia em Camboriu, com uma preparação bem elaborada que incluía desde os habituais treinamentos na quadra, a outros na piscina, no ginásio e preocupações com nutrição etc e tal. A história valeu uma reportagem de página no Estadão, com o título de ‘Fábrica de campeões”.

          Um dos aspectos que mais me chamou atenção nesta pré-temporada foi acompanhar com mais calma, do que via nos torneios internacionais, a rotina de treinamentos de Guga. É incrível como é sério e compenetrado, bem diferente do seu jeito descontraído das conversas ou mesmo das entrevistas. Ele ficava trocando bolas com outros jogadores e a impressão que eu tinha era de que os ‘adversários’ dos treinamentos eram pinos de boliche...iam caindo, caindo. Um pedia para ir ao banheiro, o outro ‘morria’ de cansaço e a única coisa que via o Guga fazer era o de, em alguns momentos, ir até a mesinha, tomar água, recuperar o fôlego e fazer algum comentário. Quase não ria, não brincava...estava sempre sério, compenetrado. Este é o espírito que pode fazer a diferença. Afinal, acredito no talento dos tenistas brasileiros.

 

 

por Chiquinho Leite Moreira às 22h38
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A espera de um milagre

          Por essa o tênis brasileiro não poderia esperar. Mas justamente a badalada dupla formada por André Sá e Marcelo Melo, grande favorita a vencer o jogo chave do confronto neste sábado acabou caindo para os irmãos Nicolas e Giovanni Lapentti, que raramente jogam juntos. Agora, o Brasil fica a espera de um milagre. Vencer as duas partidas de simples deste domingo, com Nico Lapentti próximo de marcar o ponto decisivo diante de Marcos Daniel e se o improvável acontecer, Thomaz Bellucci teria a responsabilidade de decidir o confronto com Giovanni. Aí sim seria um jogo de mexer com corações e mentes.

          É difícil entender o que aconteceu. Na verdade não se pode sair por aí atirando pedras. Afinal, a equipe brasileira já estava escalada em todas as bocas. Ninguém ousaria mexer no atual quadro ou pensaria em outra dupla para o Brasil. A única explicação é a pressão de uma Davis, de se jogar em casa, com a obrigação de vencer, aliada a uma certa instabilidade de Melo e Sá revelada nos últimos meses, como mostram os resultados dos brasileiros. Eles não estiveram recentemente tão bem como de costume, mas ainda assim não decepcionaram. Portanto, temos de deixar isso para o imponderável.

          Se o milagre não vier neste domingo, muito provavelmente Guga Kuerten será forçado a abandonar a boa vida de play boy, pois a pressão para assumir um cargo de comando da Davis vai ser grande. E não adiante dizer que ele jamais foi treinador, não tem experiência etc e tal. Vejam o exemplo de Dunga, que tinha ainda a desvantagem de não contar com o apoio popular como o nosso Guga.

          Mas nem tudo está perdido. Resta ainda uma esperança e o Porto Alegre não poderia ser melhor cenário para se usar uma frase conhecida dos gaúchos, do poeta local Paixão Cortês, “Não está morto quem peleia”.

por Chiquinho Leite Moreira às 18h41
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P'ra não dizer que não falei das flores

          Marcos Daniel venceu Giovanni Lapentti por 3 a 1, um sufoco e muita tensão nos primeiros sets.

          Thomaz Bellucci perdeu para o experiente Nicolas Lapentti. A mãe do tenista equatoriano disse que a aposentadoria do filho depende do resultado deste confronto.

          O Gigantinho não pareceu estar muito cheio...

          Guga Kueten que está em Porto Alegre e ele que já fez tanto para o tênis brasileiro será que não poderia dar mais uma mãozinha e levar seu amigo Nico para a noitada na capital gaúcha.

          Está muito tarde...depois das duplas volto com maior respeito, quero dizer, com melhores comentários. Desculpe, mas aprendi esta lição de comunicação com Luli Radfaher, professor da ECA, e isto faz parte da 3ª. geração da Internet...

          Seja lá como for ora-pro-nobis

 

por Chiquinho Leite Moreira às 00h05
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A água que os argentinos bebem

          Qual é a água que os argentinos bebem para produzir tantos tenistas? Perguntou-me nesta manhã, quando desembarcava em Cumbica vindo de Nova Yok, em uma entrada ao vivo pelo celular para a rádio Eldorado, o jornalista Daniel Piza, a quem admiro pela invejável versatilidade e competência. “Não é aquela do Branco, com certeza” emendou com ironia. Este sucesso dos argentinos nas quadras de todo mundo é uma coisa realmente intrigante. As explicações são diversas e todas com um fundo de verdade, como o fato de treinarem juntos, concentrarem-se no Buenos Aires Lawn Tennis ou terem uma mentalidade ganhadora.

          Concordo com tudo do que se fala. Mas, pessoalmente, prefiro ficar com uma versão. A de que a água que eles bebem é a fome. Fome no sentido da necessidade, que se transforma em determinação, em acreditar que se pode e... ir para a luta.

          Não é por acaso que no ponto mais alto da crise argentina surgiu uma legião de bons jogadores no circuito internacional. O mesmo fenômeno verificou-se no Leste Europeu, com o fim da Cortina de Ferro, a consequente necessidade de se buscar opções e o tênis profissional revelou-se em um meio de vida.

          Esta fome me pareceu muito clara certa vez em Mônaco, onde estava para o Masters Series. Como alternativa mais viável, sempre me hospedei em Beausoleil, que tem como pano de fundo uma linda vista de Monte Carlo e tarifas de hotel muito mais baratas. Esta também era a opção dos tenistas menos abonados. E entre eles estava um grupo de argentinos.

          Pela manhã costumávamos ir caminhando para o Tenis Clube de Monte Carlo – sede do Masters Series, hoje Master 1000 – e que por curiosidade também fica em território francês, assim como Beausoleil. Certo dia fui conversando com Gabriel Markus, ex-tenista argentino e um grande treinador, que até me espanto em não vê-lo nos dias de hoje com um grande jogador. Gabriel, no meio do caminho, sempre parava para comprar um picolé em um quiosque que ficava na minúscula calçada. Ao tentar saber qual era a água que os argentinos bebiam, ele passou me a contar uma série de comportamentos e atitudes de seus pupilos que fizeram criar esta opinião de que a água é a fome, naquele sentido.

          Gabriel estava em Mônaco com um grupo de três ou quatro jogadores. Já jogavam pela Europa há meses, correndo por todos os torneios de saibro que se possa imaginar. E, segundo Markus, não havia limite de permanência, ou seja, enquanto conseguissem entrar nos torneios ficariam viajando, sem essa de saudades de casa ou de guaraná e sonho de valsa. O roteiro da viagem também era estabelecido por critério lógico e sem egoísmos. Se um dos três ou quatro tenistas tivesse entrado no torneio seguinte – ou seja com prize money de primeira rodada garantido, ou mesmo cinco dias de hotel – os outros todos seguiam o mesmo caminho e iam tentar a sorte no quali.

          Naquela semana de Monte Carlo, as opções apresentadas por Gabriel Markus incluíam algumas cidades charmosas, interessantes da Europa e lembro que chamou atenção, entre as opções, um torneio no Leste Europeu, o que incluía uma série de dificuldades como maior distância e burocracias como a necessidade de vistos de entrada. É claro que este era o último lugar que todos gostariam de ir. Mas ao cruzar com o grupo de argentinos no aeroporto de Nice, perguntei a Daniel Orsanic para onde eles estavam indo. Ora, para o Leste, pois Orsanic havia conseguido entrar na chave de duplas...

por Chiquinho Leite Moreira às 01h43
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Federer abusou da raquete

          No clima de punições inspirado nas cenas dramáticas de Serena Williams em sua derrota para Kim Clijsters nas semifinais, uma bem humorada ironia surgiu nos bastidores para definir um novo cenário. É que assim como aconteceu com a tenista norte-americana, Roger Federer também vai ser multado. O motivo é ‘abuso de raquete’. Tudo por causa de seu jogo com Novak Djokovic e as geniais jogadas, especialmente uma em que bate a bola por debaixo das pernas, vence o ponto com uma passada sensacional e chega ao match point.

          A jogada foi repetida por várias e várias vezes. O próprio Federer comentou o ponto com sorriso franco e uma necessária dose de humildade. “Tentei diversas vezes esta jogada e nunca deu certo”, disse. “Acho que foi o melhor ponto da minha vida”.

          O jogo teve outros momentos memoráveis. Federer e Djokovic fizeram um duelo e tanto, mas tudo sempre caia para o lado do suíço. E, por isso, pode-se arriscar a dizer que a atual geração tem o privilégio de ser contemporânea de um dos maiores jogadores da história do tênis. Esta é a opinião de muitos, como fica claro na primeira pergunta e resposta da entrevista de pós jogo de Djokovic.

          Pergunta – Este cara é Deus ou só um gênio?

          Djokovic – Ah tenho um grande respeito pelo que Federer vem fazendo ao longo dos anos... Portanto, ele é definitivamente um dos melhores, ou talvez o melhor jogador da história.

          Com tanta badalação, elogios e conquistas, Federer bem que poderia se sentir endeusado. Mas é um ser humano simples e mostra isso a cada dia. Neste domingo, por coincidência acompanhei a saída do tenista de Flushing. Estava conversando com duas policiais. Parei para olhar. Será que tinha acontecido alguma coisa? Cheguei mais perto...e nada. Só um bate papo informal. Ao seu lado, estava o pai, Robert, e o preparador físico Paganini. Federer ficou bem que uns cinco minutos jogando conversa fora. Antes de ir embora, perguntou a uma das policiais se não queriam tirar uma foto. Olha só a resposta...”não tenho câmera” disse uma delas. Mas logo surgiu um celular, posaram para a foto, enquanto o pai do tenista ainda brincou. “Ele está sendo preso...” O Sr. Robert entrou no clima e também posou ao lado das policiais. Bem, algumas fotos depois, Federer, de calça de agasalho arregaçada até o joelho, foi embora para, de repente, nesta segunda-feira voltar a fazer história e ganhar o 6.o título consecutivo do US Open.

          Agora sem ironias....Serena foi multada em US$ 500 por abuso de raquete...

por Chiquinho Leite Moreira às 23h27
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Desclassificação de Serena vai dar pano p'ra manga

 

          A desclassificação de Serena Williams numa das semifinais diante de Kim Clijsters ainda vai gerar muitas discussões. O episódio tem ingredientes apimentados e promete virar uma novela. É o tipo de assunto que os americanos gostam. Envolve minorias, imigrantes, leis severas e um grande evento como o US Open.

          Veja que Serena – testemunha de Jeová – xingou sem medir palavras uma juiza de linha...asiática. Na entrevista coletiva, a tenista norte-americano disse que não se lembrava mais do que havia falado à fiscal de linha. A rede CBS captou o som e definiu como obscenos, impublicáveis.

          Nos corredores do Arthur Ashe, uma das agentes de Serena empurrou um cinegrafisca – da própria CBS – colocando a mão na frente da câmara, como que por censura. Esta atitude infringe a First Emendment – o primeiro capítulo da constituição norte-americana que fala justamente da liberdade de expressão.

          Para engrossar ainda mais o caldo, Jill Smoller, agente de Serena entrou na sala de entrevistas e tentou ocultar o fato de que a jogadora será multada tanto por quebrar a raquete como por abuso verbal e desclassificação da partida. Os agentes estão proibidos de participar das entrevistas, justamente para evitar que mudem, ou tentem ocultar os fatos.

          Apesar de surpreendentemente simpática na entrevista, Serena acabou provocando uma saía justa com o ex-tenista John McEnroe e hoje principal comentarista da tevê norte-americana. A tenista tentou ganhar a simpatia ao dizer que McEnroe é seu ídolo (o ex-tenista é famoso por suas célebres discussões com os juízes) e que quando ela entra em quadra dá 200% para conseguir o que quer.

          McEnroe rapidamente procurou a mídia para explicar que não aprova este tipo de xingamento. Afinal, suas discussões eram quando o juiz queria aparecer mais do que os jogadores. Agora dar um foot fault, de segundo saque, de forma tão sutil, ou seja, não estava claro e levar a um match point...é mesmo para pensar em casa. E talvez tomar partido e seguir esta novela...

por Chiquinho Leite Moreira às 01h28
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