Chiquinho Leite Moreira é um dos mais respeitados jornalistas brasileiros especializado em tênis. Trabalhou em diversos jornais, entre eles o Estado de S. Paulo. Tem 25 anos de Roland Garros, 20 de US Open, 18 Wimbledon e cinco Australian Open, entre outros torneios do circuito. Revela sua experiência com histórias de bastidores e informações diferenciadas. Atualmente apresenta o Ace B andsports, todas as terças-feiras, no Bandsports.


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Esporte é cultura... valeu Noriega
às 18h07 - por Chiquinho Leite Moreira

Para quem ainda não sabe não sou tenista...aliás longe disso. Minha formação é acadêmica, com muito orgulho. Meus primeiros contatos com o tênis surgiram no Clube Floresta, hoje Espéria. Raquete de madeira Jack Crammer. Nas férias, jogava em Serra Negra, onde minha família tem casa até hoje. Com meus irmãos íamos a vizinha cidade de Amparo para bater bola no Clube Atlético. Quando não dava, num paredão ao fundo da casa, ou numa quadra improvisada, no terrão, em declive. Ainda não sei até hoje quem se dava melhor. Quem jogava do alto, ou quem batia de baixo p'ra cima. Comecei cedo... mas sigo como um pangaré. Sim com muito orgulho. Ainda hoje jogo no Clube Paineiras do Morumbi. Suo, corro muito, me divirto e ganho em saúde.

Gente, se hoje estou aqui, claramente não é pela minha performance na quadra. Se tenho esta oportunidade de dividir com vocês toda a minha experiência foi por influência da dupla Noriega e Duarte. Com eles aprendi a gostar de tênis de uma maneira especial, justamente, nas transmissões dos jogos da Copa Davis na TV Cultura. Soube o que é tênis e jornalismo. Ou não sei se seria melhor jornalismo e tênis. Enfim, aprendi a amar as duas coisas. 

Por favor não me levem a mal. Não existe aqui qualquer recado para ninguém. Apenas pago um justo tributo. Os caras eram bons. Orlando é um grande amigo que gostaria de ver mais vezes. E também gostaria que os mais novos tivessem tido a oportunidade de acompanhar as transmissões da Cultura, com Noriega e Orlando Duarte. Até sonhei em algum momento em tê-los no cabo, mas não aconteceu. Eram outros tempos. De um lado Thomaz Koch e Edison Mandarino. De outro Ilie Nastase e Ion Tiriac. O sorteio das chaves acontecia na casa do tenista Luis Felipe Tavares. Ney Craveiro era o repórter.

Na quadra um tênis em preto e branco de encantar. Nas transmissões Luiz Noriega e Orlando Duarte. Um espetáculo, dentro ou fora das quadras sob o slogam de 'esporte é cultura'. Nestes últimos dias recebi a triste notícia de que Luiz Noriega, com sua voz marcante, nos deixou. Ah, já estou com saudades. Mas sim, tive a oportunidade de viver momentos grandiosos com ele, nos quatro cantos do planeta. Um grande companheiro. Imaginem receber um convite de um ídolo como ele, para ir almoçar em Fishman Wharf, em San Francisco, na Califórnia, saborear um salmão fresco, e depois entrar numa limosine até o aeroporto para encontrar a delegação do Clube Sírio de basquete e seguir no tour da equipe. O cara sabia viver. E o melhor dividia suas experiências e cultura com os amigos, mesmo com os pangarés do jornalismo como eu. E com muito orgulho eu digo obrigado Noriega pelas lições.


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Sou negro e suo muito...vale?
às 11h33 - por Chiquinho Leite Moreira

Na tentativa de tornar o jogo mais dinâmico, a ATP resolveu testar uma nova regra: a do fim do let no saque (quando a bolinha 'queima' na rede). Esta determinação vale apenas para os jogadores de Challengers. Outra não é novidade. Mas sempre contou com as 'vistas grossas' dos juizes de cadeira: o limite de 25 segundos entre um serviço e outro. Esta promete ser ainda mais polêmica por atingir os donos da bola. Quero ver se os árbitros usarão o mesmo critério para Gael Monfils ou serão complacentes com jogadores como Rafael Nadal e Novak Djokovic, donos de um irritante e longo ritual para o saque.

As discussões prometem ser muitas. "Ah, o pegador de bolas demorou"... "Ah... esqueci a toalha na cadeira". "Poxa... minha cueca está apertada". "Essa bolinha não está pulando muito". A primeira boa história apareceu em Doha. O tenista francês Gael Monfils justificou-se ao ser punido por exceder o tempo. "I am black, so I swet a lot". Será que vale dizer que é negro e, por isso, sua demais. É claro que se trata de uma ironia. Afinal, não se pode colocar uma regra para a ensolarada Melbourne, nem para o fechado Ibirapuera e outra para a O2 Arena de Londres, onde o ar condicionado é uma maravilha.

Tanto a nova regra, como o maior controle de tempo exigem padrões. No caso do let - que valerá por três meses apenas nos Challengers - o resultado poderá variar de um local para outro, em razão da tensão da rede. Nos Estados Unidos, as redes costumam ser bem esticadas. A tendência é a bolinha subir após o contato. Na América do Sul e vários países da Europa Ocidental as redes já são bem mais frouxas. Queima e cai logo na sequência. Isso vai criar uma nova terminologia... o ace pingado.

Não sei se será possível a ATP exigir um padrão na tensão da rede. Os construtores de quadras devem ter explicações técnicas. Pelo que sei, os postes nos Estados Unidos são profundos e suportam uma forte tensão, sem inclinar, abrir buraco no piso. Para se ter o mesmo resultado numa quadra de saibro, seria preciso criar uma área cimentada capaz de resistir a uma pressão igual ao da América do Norte, mas quem vai querer arcar com os custos?. E na grama, o que fazer? Enfim, acredito que este assunto estará ao acaso.

Aliás, uma curiosidade que sempre as pessoas me perguntam: deve-se dizer "net" ou "let" quando a bola toca a rede? Na verdade um net provoca um let. Isso também vai acabar se a regra for aprovada para todos os torneios e, é lógico, tornar-se usual também nos clubes e academias.


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Como será a volta de Nadal?
às 12h12 - por Chiquinho Leite Moreira

Mantém-se o suspense pela volta de Rafael Nadal às quadras. Era para ser na exibição de Abu Dhabi, mas, infelizmente, por um anunciado problema estomacal teve de adiar seu retorno. Jogos não oficiais podem ser uma boa alternativa para quem está tanto tempo distante das competições. Por isso, o próprio tenista esquiva-se de grandes reponsabilidades para os torneios de Doha e até mesmo para o primeiro Grand Slam do ano, o Aberto da Austrália. Diz que espera estar em melhores condições na temporada americana de quadras duras, começando em Indian Wells, e colheria os melhores frutos no seu terreno preferido, no saibro europeu, a partir de Monte Carlo.

Não há como disfarçar uma ansiedade de como será a volta de Nadal. Jogadores campeões, com forte espírito de luta e determinação são grandes competidores. Não gostam de perder nem par ou ímpar. Por isso, não consigo ver o touro miura passeando pelas quadras de Melbourne Park como um turista, um torcedor, pouco se importando com o resultado. É claro que não se pode fazer cobranças, mas vê-lo dando de ombros para pontos perdidos será algo jamais visto.

Com sérios problemas de lesão, pois não fosse assim, não estaria tanto tempo longe das quadras, as superfícies dos torneios neste início de ano podem se caracterizar como outro obstáculo à sua volta. Será que o saibro não seria melhor? Enfim, a verdade é que não haveria mesmo outras alternativas para um jogador de seu quilate.

Diante deste cenário cresce a possibilidade de Rafael Nadal estar no Brasil em breve. Depois de Federer e Cia, o público brasileiro poderia ver de perto outro grande ídolo da raquete. Um início de ano dos mais emocionantes, sem dúvida, com sua presença no Brasil Open. O torneio é jogado no saibro. A chave de um ATP 250 tendo como referência a qualidade de Nadal não seria um desafio impossível. Assim, o tenista espanhol estaria com uma série de pontos a seu favor. Pela sua idolatria contaria até com a torcida ao seu lado. Poderia vencer alguns bons jogos e até mesmo o título, por que não?. Evitaria as cobranças normais em um Grand Slam, jogaria em condições mais tranquilas e pode sonhar com a vitória... bem dentro de seu espírito vencedor.


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Federer tenista, artista
às 18h06 - por Chiquinho Leite Moreira

Um pouco antes de deixar o Brasil, Roger Federer confessou a René Stauffer - jornalista suíço e autor de seu livro - que ficou surpreso e, muitas vezes, emocionado com o carinho dos brasileiros. Contou ter a impressão de que algumas pessoas pareciam não acreditar que se tratava do tenista. Não se contentavam com fotos, nem autógrafos. Queriam tocá-lo, algo assim como para acreditar que era verdade.

Não tenho referências de que Roger Federer tenha se sentindo tão a vontade e ilustrativo como em sua visita ao Brasil. Sua interação com a torcida no Ginásio do Ibirapuera foi comovente. O gesto de ampliar os ouvidos com a mão, para perceber qual lado da arquibancada estava gritando mais, lembrou mais um animador de auditório do que propriamente o maior tenista de todos os tempos. Essa sensação de controlar o público, de brigar por suas vontades, deve ser mesmo fascinante. Afinal, para quem já tem tantas conquistas, tantos recordes, acredito que o único troféu que parecia estar faltando seria o da aclamação popular.

Esta semana da turnê de Roger Federer no Brasil será inesquecível. A terei em um lugar especial de minha memória. Tive a oportunidade e o prestígio de contar com o maior tenista de todos os tempos em uma entrevista ao vivo - a única em um canal durante sua visita - ao lado de Renata Saporito. Agradeço a quem a tornou viável, aos amigos da Koch e aos companheiros do BandSports. Sem contar ainda que "joguei tênis" com Maria Sharapova e Thomaz Bellucci. Este último tentou corrigir minha direita, mas não acho que ele seja capaz de obter milagres.

Enfim, tudo esteve muito interessante. Não dá para esquecer a imagem de Caroline Wozniacki imitando Serena Williams com enchimentos de toalhas nas roupas. Nem mesmo sua tentativa de jogar um 'fut-tênis' com seu namorado Rory Mcilroy. Um gênio com um taco de golfe nas mãos, mas frustrante na tentativa de jogar futebol. Ela é muito melhor do que ele.

Sitno que até mesmo a descontração costumeira nas exibições esteve na dose certa. Deixou espaço para um jogo sério e de alto nível. Tão elevado que no domingo, na partida de Federer contra Tommy Haas, ouvi de um amigo, Dadá, sentado ao meu lado, uma frase dita ao fim de um golpe de Federer que traduziu sua impressão e para mim define tudo: "nunca vi isso..."


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O tamanho do Brasil
às 22h01 - por Chiquinho Leite Moreira

A turnê de Roger Federer no Brasil está causando uma grande repercussão na imprensa internacional. Não sei quantos e mails de todos os cantos do planeta com pedido de informações. É claro, todos logo perguntando o cachê de Roger Federer. Depois sobre a organização de um evento que reúne tantas estrelas. Acho que jamais tivemos tantos nomes juntos. E este é o novo tamanho do Brasil.

Isto deverá ser rotina daqui para frente, com a proximidade da Copa do Mundo e da Olimpíada. É lógico que ainda falta espaço físico. O Ginásio do Ibirapuera está restaurado, mas longe da concepção atual das melhores arenas internacionais. Como mudar esta situação?

Confesso que a princípio estive receoso pela organização de eventos como o Mundial e os Jogos. O temor é o de muitos. Financiar a corrupção. Mas com tantos escândalos em andamento, não sei se a Copa ou a Olimpíada seria realmente necessária para novas fontes de dinheiro sujo. Acho que não se deve tirar do Brasil esta oportunidade de realizar grandes eventos. Por isso, ainda estou inconformado com a facada nas costas do Rio de Janeiro na realiação do ATP`Finals.

O público corresponde. Nestes dias tive a honra de receber Luis Felipe Tavares numa edição especial do Ace Bandsports, no Ibirapuera. Para quem não sabe, ele foi jogador de Copa Davis e tem o tênis nas veias. Muito que faz e fez pela modalidade é por puro amor. Ele confessou que o sucesso do Brasil Open teve importância decisiva para a concretização da turnê de Federer. Não faltou também coragem, ousadia e poder de organização.

Encontro com Fátima - Emocionante a participação de Gustavo Kuerten no Encontro com Fátima Bernardes. O programa celebrou mais um aniversário, 3 de dezembro, da memorável conquista do Masters de Lisboa em 2000 e a conquista da liderança do ranking mundial. Histórias lindas de sua carreira e de uma família que como definiu Rafael soube fazer guerreiros no lugar de derrotados. Guga esteve brilhante...


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A morte do saque e voleio
às 21h05 - por Chiquinho Leite Moreira

O belo estilo saque e voleio não tem mais lugar no tênis. Há tempos que dignos representantes do que foi chamado de 'big game' desapareceram. Os últimos foram Patrick Rafter, Tim Henman, Goran Ivanisevic, entre poucos outros. Para mim esta corajosa e plástica forma de se jogar morreu faz tempo. Mas, em razão do número de perguntas sobre o assunto, sentia que ainda existia em muita gente a esperança. Só que ela foi enterrada em Praga, neste primeiro dia do confronto entre República Tcheca e Espanha.

O resultado das partidas de simples esteve dentro de um padrão esperado. O que, talvez, não se esperasse que os tenistas tchecos ficassem tanto na linha de base. A quadra coberta, superfície rápida dava uma esperança de que o saque e voleio pudesse ser a alternativa para tirar da armada espanhola o título da Davis. Nada disso aconteceu.

Uma das virtudes da Copa Davis é o de dar a equipe da casa as alternativas do jogo. Pode-se não apenas escolher o tipo de piso, como bolinha, local - com ou sem altitude - enfim uma série de opções para favorecer os jogadores do time mandante. Entre tantas histórias folclóricas destas artimanhas tem até aquela em que se construiu uma quadra de saibro, onde na área de serviço a bola praticamente perdia a velocidade, só para neutralizar a força do saque de um tenista adversário.

Na Arena de Praga, acredito que os tchecos tenham buscado as melhores alternativas para os seus jogadores. É claro que dentro de um bom senso. Em quadra, no primeiro jogo, David Ferrer não deu chances para Radek Stepanek tentar subir à rede. E no fundo de quadra o tcheco não teve chance. Na segunda partida, Nicolas Almagro exigiu muito mais do que se esperava diante de Tomas Berdych, que tem um retrospecto amplamente positivo diante do espanhol. O jogo também esteve baseado nos chamados ground strokes.

Acreditava que na Copa Davis, em razão de suas características peculiares, como a construção da quadra afinada com o estilo dos tenistas locais, puderia rever um pouco mais do saque e voleio. Mas, cá entre nós, se até em Wimbledon a grama só fica mesmo desgastada na linha de base, só dá pra concluir que não só está morto, como enterrado. A esperança agora é de que algum dia volte... na raquete de um gênio capaz de matar a saudade das jogadas plásticas de Rafter, Becker, Edberg, McEnroe...


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Finals distancia-se do Rio
às 13h18 - por Chiquinho Leite Moreira

O anúncio de que a ATP renovou com Londres o contrato para organizar o Finals até 2015 é um duro choque para quem esperava que o evento viesse para o Rio de Janeiro. Não concordo com o ‘tom esperançoso’ da notícia de que os brasileiros ainda poderão ter este torneio. Não faz sentido esperar pela Olimpíada em 2016 para então reunir os oito melhores ao final da temporada.

Um evento destes seria uma boa preparação para a Olimpíada. Ora, a Fifa realiza a Copa das Confederações antes do Mundial e por que não a ATP colocar o Finals no Rio? Acho que faltou ousadia da Associação dos Tenistas Profissionais, pois seus dirigentes estão cômodos com o sucesso de público e financeiro do evento em Londres - este ano a expectiva que chegue a um milhão de pessoas desde 2008 -. Mas é preciso pensar também no desenvolvimento da modalidade, investir, ousar e não correr só atrás da grana. O tênis pode ser um negócio para alguns, mas o esporte precisa de difusão.

Lembro que este ano em Miami, Guga, agindo como um embaixador, reconheceu que em Londres o evento é um sucesso. Mas o tricampeão de Roland Garros afirmou que seria preciso se pensar a longo prazo, olhar para o potencial brasileiro e no desenvolvimento do esporte nos quatro cantos do planeta.

Nem sequer seria preciso esperar o sucesso ‘a longo prazo’. Não tenho dúvidas de que a corrida por entradas para a turnê de Federer no Brasil provou que público não seria problema para ver os oito melhores do mundo em ação. Os ingressos para exibições estão próximos dos US$ 500, acredito que bem mais do que se paga para as rodadas na O2 Arena de Londres.

Vou ainda mais longe. O Rio foi traído... uma facada nas costas, para uma cidade que vem investindo neste próprio evento, com publicidade na quadra em Londres.


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Federer: "ATP sob suspeita de doping"
às 17h43 - por Chiquinho Leite Moreira

O ATP Finals de 2012 começou quente, antes mesmo de os jogadores pisarem na quadra da O2 Arena de Londres. Na tradicional entrevista coletiva - o round table - que antecede o evento Roger Federer colocou o programa anti doping da ATP sob suspeita. Não estou em Londres, mas pela minha experiência em outros Masters acho que este tipo de encontro com os jornalistas propicia declarações mais fortes, intimistas, pela forma como é realizado. Os oito classificados para o torneio sentam-se em mesas redondas e ficam a disposição para as perguntas. Depois que os radialistas fazem as perguntas de praxe, os jogadores começam um bate papo mais descontraído. E nestes momentos eu gostaria de pode me dividir em oito para estar em todas as mesas.

Em Londres, Roger Federer mexeu neste delicado assunto, depois de um pedido para comentar as declarações de Andy Murray, no dia anterior. O escocês pedia um controle mais rígido de doping para evitar o que aconteceu com o ciclismo e o caso de Lance Amostrong. Como já disse que o assunto é delicado resolvi colocar na íntegra, e em inglês, o que disse o suíço:

I feel I'm being less tested now than six, seven, eight years ago...I don't know the reasons we are being tested less and I agree with Andy, we don't do a lot of blood testing during the year. I'm OK having more of that...We do a fair amount of drug testing but we could do more...A lot of it has been urine, not so many blood tests. I think it's important to make sure we have all of those bases covered. I think tennis is a clean sport but the more we can do to prove that all the time is good...I just think it's important to have enough tests out there...I don't like it when I'm only getting tested whatever number it is, which I don't think is enough or sufficient during the year...I think we should up it a little bit, or a lot - whatever you want to call it - because I think it's key and vital that the sport stays clean. It's got to. We have a good history in terms of that and we want to make sure that it stays that way."

Não acho que Federer tenha passado um recado a qualquer um de seus colegas, como muita gente possa pensar. Vejo em sua declaração uma nítida preocupação com o esporte, além de uma evidente cobrança para que a ATP se esforce um pouco mais para evitar um escândalo como o do ciclismo. Não é de hoje que se fala de histórias em que a Associação dos Tenistas passa a mão na cabeça de seus membros, dando conselhos, no lugar de punições para evitar escândalos. Ora, quem leu o livro de Andre Agassi sabe muito bem do que acontece nos bastidores. Para quem não teve a oportunidade, o tenista norte-americano conta que apesar de ter usado droga não foi punido.

Há alguns anos, comprovadamente 43 jogadores tiveram problemas com doping. Todos, sem exceção, fizeram uso de uma substância oferecida pelos próprios fisioterapeutas da ATP. Entre estes jogadores, Greg Rusedsky foi acusado, precisou se defender e acabou sendo absolvido. Mas até hoje a história toda não ficou clara.

Para manter o esporte limpo e sem histórias como esta, Roger Federer, com apoio de Andy Murray, pede para ser testado mais vezes. Ora, ele mesmo se coloca a disposição para os exames de sangue, não só o de urina, apesar do aborrecimento. Ou será que a ATP está com problemas de caixa e não tem verba para custear os exames?


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Larri quer treinar técnicos
às 12h38 - por Chiquinho Leite Moreira

Pode parecer estranho, mas Larri Passos tem planos de treinar técnicos. É isso mesmo, depois de se transformar no treinador de maior sucesso da história do tênis brasileiro, ele tem planos de passar sua experiência e conhecimento para a formação de técnicos para atuarem exclusivamente no profissional.

Em Florianópolis, Larri falou-me de seus objetivos. Achei bastante interessante. Ouvi suas explicaçãoes e ele, ao longo dos anos, concluiu que temos bons professores, instrutores para o tênis recreativo e para o início de uma carreira profissional. Mas, julga que falta capacitação para os especialistas no esporte de alto nível de competição. A CBT, com Cesar Kist, já faz um trabalho semelhante.

Há muito tempo que se discute esta questão de falta de treinadores no Brasil. Certa vez, numa visita ao nosso país, Arthur Ashe - que hoje empresta seu nome ao maior estádio de tênis, em Flushing Meadows - afirmou para uma platéia atônica que o problema do tênis brasileiro era a ausência de bons técnicos. Muitos ficaram indignados e raivosos. Reação que pode se repetir agora com esta ideia de Larri. Mas confesso que estou de acordo com o ex-treinador de Guga, e acho que é preciso entender a sua inteção e, sim, tirar proveito de seu conhecimento e experiência.

Para exemplificar e detalhar seu plano, Larri contou-me alguns casos de tenistas já formados profissionais com problemas técnicos muito graves. Não vou citar nomes. Apenas revelar que após algumas pequenas altereções estes jogadores estão conseguindo resultados brilhantes. Ou seja, se tivessem tido um 'olho' especializado, muito provavelmente teriam alcançado carreiras ainda melhores.

Antes de partirem ao ataque, acho sempre saudavel o conhecimento. O aprendizado nunca é tarde e, sinceramente, acho de uma ignorância enorme os que se declaram donos de toda a sabedoria e não precisam mais de novos ensinamentos. O melhor é sempre pronto a aprender.


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Bellucci assume a falha
às 13h52 - por Chiquinho Leite Moreira

"Perdi para mim mesmo". Esta frase vinda no press release do Thomaz Bellucci revela muito mais do que uma simples desculpa ou justificativa para a incrível derrota na final de Moscou. Há tempos que se fala da apatia em quadra do nosso atual número um. Muitos podem discordar, mas vejo um talento enorme neste jogador. Já disse e repito: ele tem um tênis moderno, bola e recursos para alcançar vitórias impressionantes. Só falta mesmo ele acreditar nisso.

Não vejo com preconceitos a necessidade de uma ajuda profissional para Thomaz Bellucci. Acho plenamente normal que um tenista conte com o apoio de um treinador, de um preparador físico, de um nutricionista e por que não de um psicólogo? Se em quadra, tecnicamente está desempenhando bem, como comprova sua atuação até o 5 a 4 do segundo set, e não levou o título por não resistir a pressão, a responsabilidade, não há muito mais coisas que o Daniel Orsanic possa fazer. É claro que uma conversa com o treinador ajuda, mas um profissional gabaritado na área, com pleno conhecimento, obviamente pode alcançar melhores resultados.

Falo em preconceitos, pois uma ajuda psicológica as vezes é vista com um tom doentio, vergonhoso para alguns. Mas nos dias de hoje deveria ser encarado de outra forma, com normalidade. Comparo: se o tenista revelar falta de condicionamento físico, não chegar bem nas bolas e cair de rendimento no terceiro set, algo precisa ser feito. Ora, o treinador pode ajudar, mas um preparador pode conseguir melhores resultados. É a mesma coisa em se tratando de um momento mental na partida. Será que não caberia um nome a mais na equipe de Bellucci? Outros esportes já aderiram... até mesmo o futebol.Bem,. no caso do nosso número um, pode ser que eu esteja enganado, por não ter a informação, e ele até já conte com este tipo de apoio. E se esta pessoa existir, seria legal que nos contasse o que pode e o que está sendo feito para que Thomaz Bellucci seja ainda um tenita mais completo.


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Semana GK não tem preço
às 16h39 - por Chiquinho Leite Moreira

Tricampeão de Roland Garros, 43 semanas como número um do ranking mundial, Gustavo Kuerten continua a fazer história. Um exemplo é a Semana GK que promove em Florianópolis. Pela primeira vez estive neste evento, que já é tradicional. E não há exagero algum em chamar de evento, pois não se trata apenas de um torneio juvenil. É muito mais do que isso. São ações que ultrapassam a linha das quadras e fortalecem a base do tênis brasileiro, alimentando um sonho do maior tenista brasileiro de todos os tempos em que no futuro possam surgir novos campeões de Roland Garros como ele, e novas campeãs como Maria Esther Bueno.

Uma das grandes virtudes deste evento é a presença de Gustavo Kuerten. Sua participação é intensa, não só nas ideias e realizações, como na integração com os mais de 800 atletas de 18 países que formam este ano a Semana GK.

Um dos momentos mais marcantes, desses que não tem preço, aconteceu ao final do bate bola entre Guga e o equatoriano Nicolas Lapentti, na preparação de um jogo exibição marcado para este sábado. De repente, o ídolo brasileiro chamou a 'ajuda' de um baixinho, Daniel, que acho que não tem dez anos. O menino formou dupla com Guga para 'cansar Lapentti'.

Aos poucos começaram a aparecer novos meninos e meninas na quadra. Guga e Lapentti se juntaram para 'combater' o exército de fãs tenistas. Alguns estavam sem tênis, sem raquete. Pegavam emprestados. Não importava o tamanho do calçado, o que valia era entrar em quadra a bater bola com Guga. Ele revelou-se um bom professor. Deu dicas de como treinar, aperfeiçoar os golpes e gerou um clima de festa.

Crianças boquiabertas, pais atônicos com as cenas ao mesmo tempo divertidas e de fortes emoções. Uma família vinda de Salvador revelou-se especialmente entusiasmada. A filha, com problemas de timidez, transformou-se ao entrar em quadra. "Deu até entrevista", festejava o pai. Enquanto a mãe confessava: "Nunca a vi tão feliz".

Por tudo isso, Guga que deu tantas alegrias à torcida brasileira, continua fazendo história e alegrando e motivando até mesmo quem nunca o viu jogar.


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O valor do # 1
às 13h50 - por Chiquinho Leite Moreira

Particularmente gostava do tempo em que o ranking contava com um ingrediente apimentado: o bônus point. Para quem não se lembra, uma tabela dava pontos extras para quem vencesse um dos top ten. Imagine a motivação que isso não gerava para um tenista louco por melhorar sua classificação, jogando diante do número um, o mais valioso nessa premiação. Hoje, o bônus só favorece ao líder. Não em pontos, mas em ganhos especiais de seus patrocinadores. Terminar o ano na liderança pode significar um polpudo 13. salário.

A batalha para encerrar o ano na liderança está na sua reta final. E este objetivo faz com que jogadores renovem forças e sacrifícios. Lembro do ano em que Pete Sampras queria tirar a liderança de Marcelo Rios e o americano inscreveu-se em tudo quanto era torneio da temporada indoor. Agora em 2012 faltam apenas seis semanas. A ATP coloca três jogadores com chances: Roger Federer, Novak Djokovic e Andy Murray. Resultado de uma temporada em que não houve o domínio amplo de apenas um ou dois jogadores. Desde 2003, com Andre Agassi, Juan Carlos Ferrero, Roger Federer e Andy Roddick, que os torneios do Grand Slams não contavam com quatro diferentes campeões. Este ano tivemos Djokovic, Rafael Nadal, Federer e Murray. Acho que não fosse a lesão do espanhol, ele também poderia estar na briga pelo número um.

Nestas circunstâncias não gosto de me apegar apenas aos cálculos. Acho o momento do tenista um bom sinal para arriscar um prognóstico. No ano passado, Djokovic fez uma espetacular temporada com três Grand Slams e cinco Masters 1000. Agora, com um Slam este ano e sem muitos pontos para defender, está preparando o bote para retomar o trono de Roger Federer. O tenista suíço ano passado, depois de muito tempo, não ergueu troféu de Slam, mas teve um brilhante final de temporada com os títulos na Basileia, Paris e ATP Finals. Nem é preciso fazer contas. Agora comprovou sua força ao alcançar a 300a. semana como número um e não deve largar o osso facilmente.

Por fora, corre Andy Murray. O escocês realizou um sonho ao conquistar o título do US Open, acabando com o jejum que vinha desde Fred Perry, em 1936. Poderia também ser o primeiro britânico a liderar o ranking desde o início da Era Aberta, como se sabe, em 1969. Mas, além de seu hábito de não terminar bem o ano, li que este objetivo estaria traçado apenas para a temporada de 2013.

Enfim, vejo que este final de temporada, que ao meu gosto não é tão empolgante quanto o verão no Hemisfério Norte, ainda reserva boas emoções e apostas.


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Roland Garros na Band
às 17h56 - por Chiquinho Leite Moreira

A Bandeirantes sempre teve uma tremenda tradição no esporte. E não só no futebol. Como não se lembrar do que Luciano do Valle fez com o vôlei. Sinceramente, não sei se esta modalidade seria tão forte como é hoje no Brasil, não fosse a vitalidade dada pelo genial narrador. Hoje, já é oficial. O torneio de Roland Garros, de tão boas lembranças para o público brasileiro, será transmitido com exclusividade pelo Grupo Bandeirantes. A potência desta empresa multimídia foi um fator decisivo para a Federação Francesa de Tênis ceder seus direitos de transmissão.

Justamente este potencial de multimídia é que vai tornar Roland Garros, a partir de 2013, num evento muito mais interessante para o público brasileiro. O torneio será transmitido em diversas plataformas. Isso irá permitir que a cobertura seja muito mais abrangente. Um bom sinal dos novos tempos é que os jogos decisivos estarão no ar na TV aberta, o que garantirá uma exposição enorme ao evento. O forte da programação estará no cabo no canal Bandsports. E neste aspecto surge uma bela novidade. Se houver interesse do torcedor em acompanhar uma partida diferente da que está sendo transmitida pelo Bandsports, em outra quadra, isso será possível através da Internet ou ainda pelo celular, com incrível qualidade de imagem. Sem contar ainda os informativos das rádios.

A cobertura de Roland Garros, a partir de 2013, prevê a transmissão de pelo menos 30 jogos. Mas, é claro, que dentro da capacidade do Grupo Bandeirantes, o número de jogos que estarão no ar será muito maior. Seja na tevê aberta, seja no Bandsports, na Internet, no celular, nas rádios e jornais.

Com isso, as transmissões de tênis no Brasil irão marcar uma nova era a partir de Roland Garros 2013. O público poderá acompanhar muito mais jogos. Muito mais gente estará ligada no torneio, através das diversas mídias. E a Federação Francesa de Tênis, sempre inovadora em idéias, marcará também um novo momento, com uma estrondosa repercussão do que é considerado o mais charmoso torneio de tênis do planeta, hoje também o mais moderno.


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Brasil na mira dos grandes eventos
às 18h53 - por Chiquinho Leite Moreira

A notícia de que estão esgotados os ingressos para os dias de jogos de Roger Federer, a preços significativos, acaba com a única dúvida que pairava sobre os maiores dirigentes do tênis internacional em promover eventos de grande porte no Brasil. Como se sabe, existe uma recente tendência em se colocar o ATP Finals nos países em que serão sede dos Jogos Olímpicos. Foi assim na China e na Inglaterra. E por que não no Brasil?

Em conversa com André Silva, hoje alto dirigente da ATP, em uma de suas visitas ao Brasil, ele foi claro em dizer que sua associação estava plenamente satisfeita com os resultados de Londres. Trocando em miudos, o torneio realizado ao final das temporadas na O2 Arena é altamente lucrativo. Bons contratos de transmissão por tevê, bela organização, bom estádio e, sobretudo, uma bilheteria compensadora. Depois recebi uma explicação coerente: a de que vir para o Brasil significaria um bom investimento, mas com lucratividade a longo prazo.

É claro que não temos uma O2 Arena, mas isso não foi obstáculo suficiente para esgotar-se os ingressos num Ginásio do Ibirapuera já totalmente ultrapassado, sem conforto, estrutura, ar condicionado, estacionamento e esta lista seguiria por caminhos intermináveis. Acredito que até 2014, o Rio já tenha inclusive criado uma estrutura, pois o ATP 500 estaria para ser disputado nestas novas instalações. Além disso, a Prefeitura do Rio já patrocina a ATP. Vejo isso como um compromisso.

Além de Federer e boa cia, como Maria Sharapova, Venus Williams, o duelo entre Novak Djokovic de Guga Kuerten também promete. Esta semana também está sendo anunciado um novo torneio. Li também que em outubro teremos uma sequência de torneios juvenis. Enfim, o tênis brasileiro está se solidificando em diversas bases, todas muito importantes.

 


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Davis e o efeito ioiô
às 18h50 - por Chiquinho Leite Moreira

É claro que a esperança é a última que morre. Mas as chances de o Brasil derrotar os Estados Unidos são remotas. Especialmente pelo fato de os norte-americanos jogarem em casa, muito provavelmente numa quadra rápida, com os canhões de John Isner e Sam Querrey, além da indiscutível força dos irmãos Bob e Mike Bryan. Com este sorteio, o tênis brasileiro  pode entrar no que se chama de efeito ioiô... sobe e desce. Só que sem querer ser otimista, a verdade é que no caso de uma derrota na primeira rodada da competição no próximo ano, de 1 a 3 de fevereiro, a equipe brasileira mantém-se no playoff. Ou seja, não faz aquele caminho tortuoso por adversários regionais - do zonal americano -, muitas vezes sem grandes motivações e não menos perigosos.

Esta é uma característica da Copa Davis. É claro que depois de tanto tempo fora do Grupo Mundial a torcida seria por jogar em casa. Mas sinceramente não vejo motivos para desespero. Não entendi muito bem a notícia em que João Zwetsch estaria numa 'surpresa'. Acho que não passa de um exercício para ampliar a divulgação de uma coisa ou outra. O treinador gaúcho é consciente do que faz e sabe melhor do que nós das limitações do time brasileiro e as condições em que devem se realizar o confronto. Acho que a surpresa seria o Brasil vencer os Estados Unidos...e acreditar não faz mal a ninguém. Só faltou perguntar como?


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