Chiquinho Leite Moreira é um dos mais respeitados jornalistas brasileiros especializado em tênis. Trabalhou em diversos jornais, entre eles o Estado de S. Paulo. Tem 25 anos de Roland Garros, 20 de US Open, 18 Wimbledon e cinco Australian Open, entre outros torneios do circuito. Revela sua experiência com histórias de bastidores e informações diferenciadas. Atualmente apresenta o Ace B andsports, todas as terças-feiras, no Bandsports.


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Nadal é vítima de um 'meia azul' de Madri
às 12h42 - por Chiquinho Leite Moreira

Todo mundo sabe que jogar no saibro causa problemas na lavanderia. As roupas ficam muito sujas e as meias encardidas. No seu tempo, Guga gabava-se de ter uma mulher lá em Floripa que numa lavada apenas tirava todos os resquícios da temporada europeia de saibro. Não acredito. Ao meu ver, um bom jogador de saibro é aquele que se suja mesmo, escorrega..., levanta pó e deixa a quadra com a meia de outra cor. Vocês repararam que no jogo contra o Bellucci o Gasquet estava com as meias totalmente azuis, enquanto as do brasileiro estavam branquinhas... branquinhas.

Bem ironias a parte, tenho a convicção de que os jogadores tops detestam surpresas. Afinal, eles investem em detalhadas preparações para cada torneio, olhando todos os ítens com extrema atenção. Tenistas como Rafael Nadal o quanto antes buscam uma adaptação às novas condições que irão enfrentar na próxima competição. Lembro, por exemplo, que Larri uma semana antes de o Guga entrar num torneio já providenciava uma caixa de bolas das que seriam usadas para dar início a adaptação.

A velocidade da bolinha é importante. Assim como uma série de outras coisas que podem interferir na sintonia fina. Quero dizer: a altitude pode determinar a calibragem da raquete. O quique da bola, no treinamento de um certo tipo de golpe. E assim vai..., passando até pelo equilíbrio ao se executar um golpe, com bases bem montadas, o que o número dois do mundo não conseguiu fazer diante de Fernando Verdasco.

Imaginem o que estas alterações de surpresa não interferem na rotina de jogadores. Acostumados a estarem plenamente preparados, de repente, se deparam com a necessidade de trocar o tênis no meio da partida (como fizeram vários esta semana), perceber que o slice mesmo no saibro faz uma trajetória distinta de todos os outros torneios disputados nesta superfície. Deslizar faz parte das habilidades de um tenista de saibro, mas escorregar é diferente. Não se pode dizer que Nadal não saiba se movimentar na terra batida, mas suas dificuldades em Madri estavam visíveis.

Eu particularmente gosto de novidades. Mas o que os organizadores do torneio de Madri fizeram foi interferir na autoridade dos tenistas. A reclamação dos jogadores não é a toa, mas sim revelam toda a indignação pelo comprometimento de suas responsabilidades. Ouvir de Nadal  nas vésperas do torneio que agora 'vou ter de tentar me adaptar' é perceber que o espanhol estava de mãos atadas e o resultado disso apareceu diante de Verdasco.

Esta necessidade de improvisações prejudica especialmente tenistas do estilo de Nadal, que segundo contou-me seu assessor, Benito Barbadillo, precisa de horas de preparação para entrar numa partida. Imagine então o tempo que precisaria e gostaria de destinar na adaptação para um torneio importante, como o Masters de Madri..

Por isso, é muito difícil fazer uma análise dessa sua derrota. Estas 'novidades' podem justificar as dificuldades encontradas por Djokovic diante de Gimeno Traver, de Federer contra Raonic, essa derrota de Nadal para Verdasco, ou mesmo da atuação no primeiro set de Serena Williams com Caroline Wozniacki. Ao final da semana, deve vencer aquele que conseguiu adaptar-se mais rápido. E como, apesar de outra cor, estamos falando de saibro, o campeão poderá ser batizado de 'O Meia Azul de Madri". E será que a moça do Guga terá uma fórmula para lavar o saibro azul também...? Ou seria melhor deixar a marca como símbolo de mais uma virtude... 

Seja quem for o campeão, é certo que a superfície de Madri foge às características, vamos dizer assim oficiais. Não fosse um torneio dessa categoria, duvido que tanto a ATP como a WTA autorizariam a disputa. Nada contra a cor, mas sim pelas condições, até mesmo perigosas do piso. Nadal transformou-se na primeira vítima de um 'meia azul' de Madri e podem vir outras surpresas.

 


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Uma página de amor ao tênis
às 20h24 - por Chiquinho Leite Moreira

Nos últimos meses divido meu tempo entre São Paulo e Bauru. Por questões profissionais de minha esposa, nossa família mudou-se para o Interior do Estado, onde estão minha mulher e minha filha. É um vai-e-vem constante. Meu filho (que está cursando Universidade em Sampa) e com quem compartilho meus dias na Capital, definiu bem a atual situação: "Pai, você sempre viajou a vida inteira, só que agora trocou o avião pelo carro".

Explico isso, pois neste domingo recebi uma linda homenagem do Jornal da Cidade de Bauru. Um verdadeiro reconhecimento e para quem também ama o tênis vale a pena conferir este link. Eu que passei mais de 30 anos escrevendo sobre os outros, agora transformei-me em personagem. São histórias do tênis, dos bastidores e do jornalismo...


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Guia prático para Roland Garros
às 11h25 - por Chiquinho Leite Moreira

Nestes dias recebi de um amigo um e mail com uma oferta para Roland Garros de uma das maiores agências de turismo do Brasil. Respondi que achei o pacote bem atraente, por oferecer ingressos para a central e a facilidade do pagamento parcelado. Mas ele queria mais... dicas de como aproveitar melhor a viagem e como funciona o esquema de um Grand Slam, em especial RG. Admito que não foi o primeiro a buscar por curiosidades e resolvi então dividir algumas experiências e informações do mais charmoso torneio do planeta.

Primeiro, como costumo dizer com frequência, nenhum dos Slams tem Paris como sede. Isso nos reserva algumas características inigualáveis. Mas começo por um assunto dos mais complexos: os ingressos. Como em todo Slam comprar entradas é uma guerra que pode reservar surpresas desagradáveis. Afinal, quem gosta de passar pelas mãos de cambistas? Por isso, aconselho a quem não tem ingressos fazer uma consulta ao concierge, só que o preço pode ser desencorajador. Mas como este pacote já vem com ingressos para a Philippe Chatrier a chance de ver todos os grandes em ação é enorme.

Em Roland Garros, os ingressos da Chatrier valem, é claro, para a central e todas as outras quadras secundárias, com exceções para a Suzanne Lenglen e a 1. O mesmo vale para quem tem o ingresso da Lenglen, que tem acesso ao ground, mas não entra na Chatrier. Nos primeiros dias, os organizadores dividem os principais astros nestas duas quadras. Mas vejo que se você tem uma Chatrier na mão é muito mais fácil trocar pela Lenglen, do que o inverso. O estádio de Roland Garros também não é monstruoso, como o Arthur Ashe, e dá para ter uma boa visão do jogo, seja lá onde sentar.

Em Roland Garros pode-se passar o dia facilmente, com emoção e conforto. É legal passear pelo complexo e conhecer as quadras secundárias. Não deixe de cruzar a Suzanne Lenglen e ir para as quadras de treinos - onde também é disputado o qualifying - pois se tiver sorte poderá ver um Nadal, Federer, Sharapova treinando bem de pertinho. Algumas quadras da parte mais antiga do complexo também são abertas e a sensação de ver um jogo grudado no alambrado diante de profissionais de alto nível é uma experiência interessante, especialmente no fato de observar a velocidade da bolinha.

Se bater uma fominha, existe uma praça de alimentação em cima da quadra 10. O local tem diversas opções, das mais simples às sofisticadas e, é claro, sempre com um toque francês. Se optar por um simples cachorro quente na praça dos Mosqueteiros - entre a central e a 1 - tome cuidado, mas muito cuidado, com a mostarda de Dijon. De repente você pode chorar e... não será de emoção.

De tanto ver tênis, pode dar aquela vontade de bater um bolinha. Em Paris existem várias quadras públicas como as do Jardin du Lexembourg. Mas uma opção interessante é pegar o metro, linha 8, descendo na última estação de Balard. Siga na direção do heliporto de Paris. Se for pelo lado direito da calçada, quase ao final da rua, existe um muro onde foram fuziladas várias vítimas da Segunda Guerra. É importante preservar a memória das barbaridades cometidas pelo nazismo e refletir... até orar.

Ao chegar no heliporto de Paris, à esquerda está o Aquaboulevard de Paris. Logo na entrada uma grande loja da Decathon, onde dá p'ra comprar as bolinhas, tênis ou acessórios para o jogo, se for necessário. No próprio local existem quadras para locação. Mas para os que não são membros mensalistas, os preços não são muito atraentes. A alternativa é cruzar um portão de ferro, entrar no parque, passar por alguns campos de futebol e dirigir-se ao centro de tênis. O aluguel das quadras é de apenas 4 euros para as quadras descobertas e 6 euros para as cobertas.

Depois de jogar tênis, curtir uma rodada completa em Roland Garros, o meu destino costuma ser os diversos restaurantes de Paris. Não dá para deixar de ir no L'Entrecôte. Há vários endereços. O mais tradicional é o de Port Maillot. Sou do tempo em que neste local Nico Mattar e Cássio Motta apostavam quem comia mais profitelores. E olha, quem responder que o mais robusto ganhava a aposta pode estar enganado. O restaurante serve apenas um prato... uma espécie de bife com batata frita. Pode aceitar a sugestão do vinho da casa e repare na habilidade e rapidez das garçonetes em abrirem as garrafas. Apesar de o restaurante de Port Maillot ser o mais conhecido, prefiro ir ao localizado em Saint Germain, bem atrás dos cafés Les Duex Margot e du Flore, verdadeiros templos da intelectualidade da Cidade Luz.

Para quem busca uma cozinha mais sotisticada, o endereço é o restaurant Michel Rostang - duas estrelas no guia Michelin - Comece com o foie gras de canard, ou escargots. Sou fâ do canard de Aux de Provence. Mas este prato nem sempre está disponível no cardápio. Por isso, uma boa opção é eleger uma das variedades das fórmulas, ou seja, menu dégustation.

As noites mais intensas exigem uma passada pelo primeiro andar do Buddha Bar. Legal curtir o som lounge e comprar o CD. Dá para tomar um vinho leve e não se intimide diante das lindas hôtesses e pergunte o preço... ces't combien la bouteille? Evitar surpresas não faz mal a ninguém. Se acabar se envolvendo com o ambiente, no andar de baixo está o salão de jantar contemplado por um enorme Buddha. Mas se quiser seguir no clima, só que em outro local, caminhe um quarteirão para a direita, entre a esquerda na rue du Faubourg Saint-Honore e vá jantar no Hotel Costes. O CD vendido com o music lounge também é dos mais legais. Ao escolher o prato não deixe de pedir um purée du pomme de terre. Depois disso, sua maneira de ver um simples purê de batata será diferente para o resto de sua vida.

Se um dia destes acordar sem ânimo para jogar tênis e a rodada em Roland Garros só começar lá pelas 14 horas, uma boa pedida é ir até a Galeries Lafayette. Despois de se extasiar com moda pariense, não deixe de conhecer no primeiro andar no prêdio anexo, uma loja de vinhos, com preços e variedades das mais interessantes. Mas se o seu objeto de desejo for vinhos de Bourgogne, o melhor endereço está no boulervard Saint Germain, ao lado do hotel Madison, aliás um townhouse dos mais charmosos de Paris. Mas se não tiver reserva esqueça a vontade de se hospedar ali. Ainda em frente a Lafayette está uma loja das mais interessantes e que pode ser muito útil. É a Soucorf, com tudo em informática e que nada fica devendo aos centros de Miamii ou Nova York. Mas fique atento, pois os joguinhos para crianças vendidos na França, não funcionam nos consoles usados no Brasil. Enfim, como você já está na região do Opera admire a arquitetura da região e caminhe até a Place Madeleine. Lá está o luxo em gastronomia, o Le Fouchon... nada mais parisiense.

Há muito ainda para contar. Mas para evitar reclamações prometo nas próximas colunas me ater um pouco mais ao que acontece nas quadras e nos bastidores de Roland Garros. A bientot...

 

 

 


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Mesmo com Nadal, Guga reinaria no saibro, com a 'mão esquerda'
às 19h59 - por Chiquinho Leite Moreira

Mesmo depois das oito coroas em Monte Carlo e do 7. título em Barcelona do espanhol Rafael Nadal, não dá para deixar de considerar a opinião de um dos maiores técnicos do País, o gaúcho Larri Passos. Nestes dias, numa entrevista no Clube Paineiras do Morumbi, ele revelou sua frustração com o nível das atuais estrelas, veja bem, jogando no saibro. Ao fazer uma comparação com os tempos de Gustavo Kuerten, o treinador naquele tom de ironia de quem busca expressões populares para dizer uma verdade, afirmou que o seu pupilo seria o número um da terra batida com 'a mão esquerda'.  Surpreso perguntei sobre Nadal. Neste caso deixou transparecer que poderia então usar a mão direita.

Sei que temos muitos Nadalistas. Respeito a todos, assim como o estilo do espanhol. Mas depois de ver um pouco a final de Barcelona entre Nadal e David Ferrer e ver as bolas passando a mais de dois metros acima da rede comecei a refletir ainda mais nas declarações de Larri. É claro que existe arte e competência na maneira do atual rei do saibro jogar... mas não me parece muito plástico. É verdade que Nadal desenvolveu uma técnica e os números confirmam sua eficiência. Não há como contestar. Trata-se de gostar ou não.

Neste tom da conversa, animei-me em dividir com o treinador uma opinião: a de que Guga revolucionou o tênis ao ser o primeiro tenista ofensivo, jogando de fundo de quadra. Até então, existia uma espécie de divisão entre jogadores ofensivos (os de rede) e defensivos, numa teoria bem retratada no livro de Pete Sampras. Com o brasileiro esta base mudou. Guga destruia seus adversários lá de trás, e por isso sei que exibia um sorrizinho no rosto quando analisava a chave de um torneio e via alguns espanhóis como adversários. Sabia que poderia vencê-los com esta sua capacidade. Por isso, acredito que nos dias de hoje, Kuerten ainda poderia estar no tour, o que não aconteceria com tenistas como, por exemplo, o australiano Patrick Rafter. 

A comprovação dessas teorias só se daria na prática. Apenas na hipótese de termos Guga e Nadal jogando com 100% de suas capacidades. Este é um duelo que gostaria de ver... e acredito que não sou só eu, como sinto que também o próprio Guga e, é claro, o Larri. Sei lá mais quanta gente já não colocou na cena dos jogos imaginários este desafio... Nadal com a mão esquerda e Guga...


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Nadal é rei no Principado
às 11h31 - por Chiquinho Leite Moreira

Pelas ruas de Monaco o principe Albert pode ser venerado por todos os seus súditos, mas no Monte Carlo Country Club a soberania é do rei Rafael Nadal. Nas quadras em que o sueco Bjorn Borg tornou-se um mito e os bastidores testemunharam um romance entre a princesa Stéphanie e o tenista Guillermo Vilas, hoje o espanhol apresenta números impressionantes. Conquistou a 8a. coroa com incontestável vitória sobre o número um do mundo, Novak Djokovic, e completou uma série invicta de 42 partidas, tendo cedido apenas oito sets pelo caminho.

Nadal tem uma relação muito positiva com Monte Carlo. Sua única derrota neste torneio aconteceu em 2003 para Guillermo Coria. Aliás, foi nesta ocasião que vi pela primeira vez o espanhol em ação. Naquele ano, Gustavo Kuerten havia perdido uma partida incrível para o sueco Magnus Norman. Guga liderava o jogo por 6-1 no primeiro set e vencia o segundo por 5-2. Com este placar desci para a quadra para buscar uma posição estratégica para entrevistar o tenista brasileiro ao final do jogo na transmissão do SporTV. Fiquei com a linha ligada com o Brasil por uns 15 minutos e nada de o Guga definir a partida. Enfim, perdeu o set por 7-5 e caiu no terceiro por 6-2. O surpreendente resultado deixou-me meio perdido no torneio. E numa destas tardes, cruzei com o juiz de cadeira brasileiro Adão Chagas e ele falou: "vamos ver o jogo deste espanhol Nadal?" Achei ótima a idéia e sentamos no fundo quadra. O menino de apenas 16 anos impressionava pela velocidade. Adão, que além de bom árbitro, também jogou tênis, chamou minha atenção para os outros detalhes técnicos.

Depois desse abril de 2003, Rafael Nadal esteve praticamente fora do Tour por conta de uma lesão por stress. Ressurgiu 14 meses depois, já um homem feito, para consagrar-se como campeão de Roland Garros e iniciar seu reinado como rei do saibro. Agora, esta semana em Monte Carlo, o espanhol reaparece de forma espetacular. Vinha de sete derrotas seguidas para Novak Djokovic. Superou um trauma, com uma vitória sem contestações, o que certamente vai esquentar ainda mais a briga em Paris. Afinal, o sérvio busca sua primeira coroa em Roland Garros. Só que a chamada terra batida ainda parece ser território do espanhol.


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Bellucci vence com a 'mão' de Orsanic
às 12h55 - por Chiquinho Leite Moreira

Nunca se duvidou do potencial de Thomaz Bellucci. Mas saber usar as armas, depende de uma série de fatores, que no caso do tenista brasileiro passa também pela motivação, raça, disposição, vibração e humildade para aprender novas técnicas. No jogo diante de David Ferrer ficou evidente a disciplina tática e os novos e eficientes recursos. Vejo que a 'mão' do técnico Daniel Orsanic esteve bem presente.

Aliás, na semana do torneio de Monte Carlo sempre lembro de uma história interessante, que define muito bem a diferença entre os tenistas argentinos e brasileiros. Costumava hospedar-me em um hotel em Beusoleil, numa rua em que o lado de cima era território francês e no de baixo -sentido praia - já pertencente ao Principado de Mônaco. Até o clube de tênis caminhava cerca de 15 a 20 minutos. Num desses dias, estava acompanhado do tenista e técnico argentino Gabriel Markus. Sempre com um sorvete na mão - comprado no meio do caminho -  para refrescar o percurso, contou-me de sua rotina. Disse que já estava na Europa há várias semanas com um grupo de cinco tenistas e seguiriam no Velho Continente até quando fosse possível jogar. Dividiam quartos, despesas. Um ajudava o outro nos treinamentos e, especialmente, na definição do calendário. Ou seja, se um dos cinco jogadores conseguisse entrar num torneio, o que já garantia um prêmio e hospedagem, todos seguiam o mesmo caminho, buscando vaga na chave principal pelo qualifying.

Esta curiosa forma de elaborar um calendário, segundo Markus, poderia levar o grupo para lugares legais, como Monte Carlo, mesmo tendo de se hospedar num hotelzinho em Beusoleil, como também a destinos pouco atraentes. Fiquei curioso e perguntei quais seriam as alternativas para a semana seguinte. Ele deu uma série de opções interessantes em países não muito distantes, mas advertiu que haveria a possibilidade de o time todo ir também para o Leste Europeu, o que lhe parecia ser a pior das alternativas, pela distância, condições, premiação.

Depois desta conversa só voltamos a nos encontrar no fim de semana no aeroporto de Nice. Eu ficaria por perto, acompanhando o Guga, que jogaria os Masters de Roma e Hamburgo até chegar Roland Garros. Logo perguntei... p'ra onde vocês vão? E com aquela cara de 'o que se há de fazer' respondeu que estavam viajando para o Leste. "O Orsanic conseguiu vaga na chave de duplas e vamos todos p'ra lá para assinar o quali", disse Markus.

Para estes determinados argentinos não tinha tempo ruim. Orsanic vivenciou esta experiência. Estava há várias semanas na Europa e seguiria nesta rotina por tempo inderteminado, na luta por um lugar ao sol. Na época estávamos acostumado a comentar que no caso de alguns brasileiros, o que faltava era esta determinação. Só viajavam com hotel reservado, carro esperando no aeroporto etc e tal. Aliás, coisas que o próprio Guga não fazia, pois mesmo depois dele vencer Roland Garros em 97, seguiu pela Europa, jogando na Itália, depois na Inglaterra, viajando de trem, carregando mala e ficando em hotelzinho. Se Orsanic conseguir transmitir este comportamento a Bellucci, não há dúvidas de que o tenista brasileiro poderá, enfim, usar todo o seu potencial técnico para uma brilhante carreira. Não é por acaso que os argentinos têm tradição no tênis e podem nos dar uma boa lição.

 

 

 


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A força da grana traz WTA e ATP 500 ao Rio
às 19h46 - por Chiquinho Leite Moreira

A força da grana irá trazer ao Brasil mais um grande evento de tênis para o Rio. Será o maior torneio do País, com chaves do WTA e um ATP 500, com chances de ainda se pagar garantias para grandes estrelas. Aos poucos a notícia que ouvi durante minha a cobertura do Sony Ericsson Open, em Miami,  vai se confirmando. Aliás, acho esta história bem curiosa e confirma, uma vez mais, a força de uma reportagem in loco, contrariando a tendência de hoje em se investigar pela Internet, e mails, telefones. Nada se compara com o passeio pelos bastidores, pelas quadras e corredores. Estava no refeitório de imprensa, logo no primeiro dia de minha estada. A mesa aos poucos transformou-se numa conferência sul americana. O primeiro a me ver foi Jhan Fontalvo, alegre jornalista colombiano, que convidou os hermanos argentinos para sentarem-se com a gente.

Além de jornalista, Fontalvo organiza torneios de tênis na Colômbia. Esta bem informado sobre a negociação de datas e eventos disponíveis, pois desconfio que esteja querendo comprar uma semana dos chilenos. Em alto e bom tom comentou que a fortuna de Eike Batista, dono da IMX, iria conseguir levar o torneio de Memphis (que em meio a crise americana perdeu o patrocinador) para o Rio. A cara dos argentinos foi a da mais pura indignação. O motivo é que duvidam que o ATP possa colocar um ATP 500 na mesma semana do ATP 250 de Buenos Aires. Ora, não poderiam perder mais esta para os brasileiros. Acho mesmo que têm razão. Não se deveria fazer uma coisa destas. Mas, a força da grana fala mais alto.

As últimas notícias esquentam a discussão. Um blogueiro americano avisou-me que a WTA já concordou com a transferência de Memphis para o Rio de Janeiro, desde que o evento continue a ser 'combined' ou seja, com chaves masculina e feminina. A ATP faz o jogo do criar dificuldades para vender facilidades. Diz que não gostaria deste novo evento no Brasil, para não descarecterizar o Tour Latino disputado em quadras de saibo. Mas esta 'dificuldade' pode se transformar em 'facilidade', ou seja, numa justificativa para os argentinos. Afinal, um torneio em quadra rápida, como seria o do Rio, não iria concorrer com outro de saibro, como o de Buenos Aires.

A mudança do evento de Memphis para o Rio poderia, no entanto, criar uma espécie de efeito dominó. O torneio de Acapulco, no México, que também reúne competições da WTA e ATP está há tempos tentando mudar a superfície de saibro para quadras duras. Talvez, para o Brasil Open, que seria jogado uma semana antes do Rio, também fosse conveniente mudar o piso. Buenos Aires não pensa em deixar o saibro. Aliás, ao final da conversa os argentinos encontraram uma forma de não perder. Enfatizaram que o ATP de Buenos Aires não pertence a Argentina. O dono é o ex-tenista porto riquenho Miguel Nido, que, na realidade, é o homem que tem a data e seria o maior prejudicado.

Valeu Bellucci - Talvez mais importante do que as vitórias em São José do Rio Preto tenha sido a forma como Thomaz Bellucci as conquistou. A tão condenada apatia ficou de lado. Imperou o espírito de luta. Sem dúvida mostrou ser um jogador de Davis. E isso pode dar um novo ânimo em sua carreira.


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Djoko busca o "Novak Slam"
às 21h13 - por Chiquinho Leite Moreira

Na entrevista após mais uma conquista do Sony Ericsson Open, em Miami, Novak Djokovic deixou claro para mim que agora parte em busca do "Novak Slam"... aliás esta expressão está no FB do US Open. O sérvio coloca como meta a conquista do título de Roland Garros, o único Grand Slam que falta em sua coleção. Vencer no saibro de Paris não parece ser uma missão impossível para ele como foi para tenistas como Pete Sampras ou Boris Becker, ou tão sofrida como para Roger Federer. O atual número um do mundo revela características essenciais para se dar bem na chamada terra batida. Acho admirável - o termo exato talvez fosse invejável - sua capacidade de deslizar no cimento. Só mesmo ele e o Monfils são capazes disso com extrema habilidade. E esta é uma arma fundamental para vencer na superfície que por muito tempo foi a mais exigente do tênis, mas hoje em dia já tenho minhas dúvidas.

Existe uma verdade no tênis imposta pelo sistema de ranking: mais difícil do que alcançar a posição de número um do mundo é mantê-la. Por isso, Rafael Nadal tentou alterar o critério com validade dos pontos para dois anos. Djoko vem mostrando condições de seguir na liderança. Não defendeu o título de Indian Wells, mas garante estar jogando no mesmo nível técnico de 2011. Acredito que até acrescentou alguns ingredientes importantes, como a experiência à sua já conhecida força mental, ou o que eu costumo definir de "recusar-se a perder". 

No saibro europeu Djokovic tem muitas chances de manter sua incrível performance. Seu estado atlético é admirável. Consegue assim seguir uma estratégia de jogo que lhe dá a alternativa de esperar pelo momento certo de atacar. Não precisa buscar os winners do Federer de hoje e correr riscos. Pode muito bem decidir em comandar o ponto, ou ainda defender-se até virar a situação.

Aliado a estas características do sérvio está o fato de Rafael Nadal ver-se novamente diante de problemas físicos. Federer também não acredito que possa tentar dar o bote justamente no saibro. Acho que vai mesmo reservar suas forças para a grama, que este ano terá 750 pontos extras em jogo, com o torneio olímpico de Londres. Andy Murray é uma ameaça, mas não sei se pode ser colocado no mesmo nível de Djokovic, enquanto Juan Martin Del Potro pode ser mais perigoso no cimento do que no saibro.

Ainda há muito pela frente. Mas a sempre charmosa temporada europeia de quadras de saibro promete capítulos emocionantes. Ano passado, Djoko jogou bem nestes torneios e pode repetir a dose em 2012. Agora... vencer em Roland Garros vai ser um desafio e tanto, mas não vejo dúvidas - a não ser por problemas físicos - de se colocar todas as fichas em Novak Djokovic.


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Embaixador Guga defende torneios no Brasil e enfrenta Federer
às 17h14 - por Chiquinho Leite Moreira

Como um embaixador, função que diz exercer desde 1997 - por motivos óbvios - Gustavo Kuerten está no Sony Ericson Open, em Miami para defender a realização de uma série de novos torneios no Brasil. Entre as boas novidades seria a organização de um ATP 500, que viria seguido do Brasil Open e completaria o tour com Acapulco. Para Guga, já está acertada a realização de um evento da WTA, mas como a data do Rio foi comprada de Memphis, nos Estados Unidos, e tem disputas de chave masculina e feminina, teria o mesmo formado. "O Brasil vive um grande momento e todos querem ir para lá... até o Federer, com quem já recebi o convite para enfrentá-lo e vou programar os treinamentos".

Guga só não está tão animado com a possibilidade de o ATP Finals ir para o Rio em 2014. O contrato com Londres encerra-se em 2013, mas segundo o tricampeão de Roland Garros, os donos da situação estão muito contentes com o sucesso e lucros financeiros proporcionados pelos ingleses. Por isso, acredita que o evento possa ir mesmo para o Brasil, mas não descarta a possibilidade de isso só acontecer depois da Olimpíada.

O papel de Guga no momento é o de justamente convencer a ATP de que no Brasil os investimentos poderiam ser potencializados. O que ele quer dizer é que os organizadores teriam de abrir mão de alguns lucros, por ora, para ter bons retornos a longo prazo. Apesar das dificuldades, Guga está muito animado com este momento do tênis brasileiro. Um pouco antes de ir para a entrevista coletiva, tive um encontro com ele, e o ex-número um do mundo confessou-se entusiasmado.

Para a imprensa internacional, em coletiva na sala de entrevistas número um, Guga falou de sua indicação para o Hall da Fama. Contou episódios emocionantes de sua trajetória. Desde o drama familiar com a morte do pai, Aldo, tão cedo numa cadeira de juiz, até os troféus conquistados. Confessou ainda que vê a geração de hoje como uma 'era de ouro' com tenistas como Novak Djokovic, Rafael Nadal e Roger Federer, que na sua opinião estão entre os cinco melhores de todos os tempos. 

Por último, ainda revelou que investiu numa empresa de soft e logo logo colocará no mercado jogos educativos, em que passa-se de fase com raquetadas certeiras, depois de respostas também comparadas a um ace.


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What a wonderful day, em Miami
às 22h11 - por Chiquinho Leite Moreira

O sol logo cedo deu as boas vindas e serviu como a luz da inspiracao para um dia maravilhoso em Miami. O sabado em Key Biscayne esteve repleto de emocoes, numa rodada em que brilharam alguns dos maiores talentos da atualidade. Para animar os americanos, a sessao comecou com vitorias de Serena e Andy Roddick. Como Roger Federer achou que os locais ja haviam festejado o suficiente, o suico voou em quadra e pulverizou as expectativas de uma das maiores esperancas de renovacao do tenis dos Estados Unidos, Ryan Harrison. E' claro que no segundo set, as coisas ficaram um pouco mais complicada. Mas acredito que muito mais por uma certa displicencia de Federer - que liderava por 5 a 2 - do que propriamente por uma ameaca do jovem americano.

A midia internacional voltou a acreditar em Federer. Encontrei varios colegas que estao impressionados com a performance do suico. O jornalista da Franca veio de Indian Wells e falou que ha muito tempo nao via Federer jogar tao bem. E se entendi bem o que ele quis dizer, o tenista de 30 anos tem chances de vencer outro Slam este ano, e teria mostrado na California condicoes para suportar sim uma equilibrada partida em cinco sets. Um argentino viu o suico Bercy, Londres - ano passado - Indian Wells e, por isso, faz tempo que nao ve ele perder tambem destacou aboa forma do jogador. Sugeri ate' que cobrasse uma graninha pelo pe quente.

Na proxima rodada, Federer cruza com Andy Roddick, um fregues. mas sempre perigoso. Outro que nao se pode desprezar vem do outro lado da chave. E' Juan Martin Del Potro, que jogou la' pelos lados do Granstand, onde dah para ver de perto a incrivel potencia de seus golpes. No meio da tarde, a beleza e o talento tomaram conta da Central, com a boa vitoria de Maria Sharapova. Mas o melhor show ficou para o duelo entre Novak Djokovic e Marcos Baghdatis. Que lindo dia em Miami e uma noite tambem maravilhosa.


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A fascinante Miami do tenis
às 20h20 - por Chiquinho Leite Moreira

Ha'muito tempo que Miami e' a Meca para muitos brasileiros. Recentemente transformou-se no sonho de consumo para os amantes do tenis. E' incrivel o fascinio que o torneio de Key Biscayne exerce nos torcedores. Ao chegar nesta sexta-feira pela manha para o evento, depois de alguns anos de ausencia, ficou claro que a presenca brasileira e' p`ra la' de marcante. Logo a saida do estacionamento, um grupo chamou minha atencao. As pessoas ao se depararem com o suntuoso portal de Crandon Park transmitiam a emocao de uma crianca quando vislumbra o mar pela primeira vez. Como se estivessem ensaiado antes, todos pararam para respirar fundo e caminhar em direcao 'as quadras.

Os grupos de brasileiros sao muitos. Alegres e dispostos a curtirem o que ha' de melhor em Key Biscayne, ou seja, um tenis de alta qualidade. E' claro que por uma serie de motivos aumentou em muito o numero de turistas brasileiros nos Estados Unidos. Mas a presenca num evento como o torneio de Miami transmite a boa ideia que Miami nao se trata apenas de compras e compras.

Para os brasileiros e' um privilegio ter o torneio de Miami a poucas horas de casa, atualmente em condicoes cada vez mais favoraveis. Tudo colabora para colocar este evento la' em cima. O acesso e' facil, estacionamentos bem organizados - nao ha' quardadores de carros - boa  estrutura ao publico, alem de uma beleza natural que revela o que a forca da grana e' capaz de fazer.. Hoje, onde esta' o Centro de Tenis - um parque publico - tratava-se de um deposito de lixo, numa area meio abandonada da cidade. Atualmente com lindas pontes, exuberante vegetacao e locais como Crandon Park, o cenario e' vistoso.

Pelos bastidores do torneio, com o reencontro de muitos colegas, deu para perceber que o torcedor brasileiro podera' ser recompensado por esta disposicao para frequentar aos bons torneios. A mudanca do Brasil Open para Sao Paulo deixou uma certeza. O publico prestigia, se o espetaculo for bom. Por isso, o Brasil podera' ganhar mais um evento importante, um ATP 500, alem do Brasil Open. As negociacoes estao adiantadas e o evento pode levar grandes estrelas para jogos oficiais.

Esta disposicao dos grandes nomes do tenis em viajar ao Brasil ficou clara nas declaracoes de Roger Federer, que anunciou em Miami a participacao de um evento em dezembro. Alem disso, nunca e' demais lembrar que o Rio hoje patrocina o circuito da ATP com segundas intencoes. E' logico o de levar a sede do ATP Finals - atualmente em Londres - a partir de 2014.


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Federer conta com a força dos deuses do Olimpo
às 20h50 - por Chiquinho Leite Moreira

Não foram poucas as vezes em que Roger Federer declarou que para ele pouco importa ser número dois, três, cinco ou dez. O que interessa mesmo é a posição de número um. O suíço recuperou a magia de seu jogo. Enche os olhos dos torcedores. Vem numa fase esplêndida desde o final do ano passado, com os títulos da Basileia, Paris, ATP Finals e mais recentemente os de Roterdã, Dubai e Indian Wells. Os números abrem a perspectiva para que possa roubar a vice liderança do ranking de Rafael Nadal já agora, em Miami. Mas a guerra pela liderança ainda promete longas e difíceis batalhas. É verdade que esquentou a briga. Traz ainda um ingrediente condimentado, o de estar com mais de 30 anos e, aparentemente, longe de pendurar a raquete.

Assim como Federer fala que o importante é estar na liderança, ele também declarou que para isso precisa voltar a vencer um dos grandes. É lógico que este 'grande' significa um "Slam". Por isso, acredito que, apesar da boa fase do suíço, ainda não será agora que ele irá buscar a condição de número um. O calendário no momento não é favoravel. Apesar de ainda termos Miami, nas quadras duras, logo depois começa a temporada europeia de quadras de saibro, onde Federer tende a não obter resultados iguais.

A hora do bote será na grama, num dos templos do esporte. Este ano extraordináriamente haverá dois torneios importantes nesta superfície. Um deles, é lógico, o de Wimbledon, com os seus dois mil pontos de Grand Slam. O outro será o Torneio Olímpico que também será jogado no All England Club, com 750 pontos para o medalhista de ouro. Não sei quem falou por aí que seria a pontuação de um 500, enchendo minha caixa de e mails. Mas o suíço certamente não pode deixar de considerar um torneio extra na grama, dando 750 pontos ao campeão, 450 ao medalhista de prata, 340 ao de bronze e 270 para quem ficou em quarto lugar, sem pódio. (Só para esclarecer, no feminino o ouro vale 685 pontos).

Para Federer esta decisão da ITF, tomada em conjunto com a ATP, WTA e COI, de dar esta quantidade de pontos no Torneio Olímpico, jogado na sua superfície preferida, não poderia ser melhor para sua ambição de voltar a liderar o ranking. Os deuses do Olimpo podem estar ao seu lado...


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Virus põe em dúvida resultados de IW
às 15h14 - por Chiquinho Leite Moreira

Como acreditar nos resultados deste torneio de Indian Wells, se ninguém sabe ao certo as condições físicas de cada um. Roger Federer afirmou depois de sua estreia que não se sentiu bem. Mardy Fish perdeu para Matthew Ebden (um bom jogador, apesar de tudo), Jurgen Melzer passou pelo hospital, Caroline Wozniacki espera estar melhor em Miami, Francesca Schiavone deixou a quadra antes de terminar sua partida e Nikolay Davydenko nem sequer entrou. Vale lembrar que escrevo isso antes do duelo entre Thomaz Bellucci e Federer. Não duvido da capacidade técnica do brasileiro. Sempre enfatizei seu potencial, seu tênis moderno, mas não é segredo que ele precisaria ter uma cabeça tão forte quanto seu forehand para atingir o sucesso que merece.

É de causar espanto que até agora nenhum jogador tenha se revoltado com a situação. Mas como os gigantes ainda estão na briga pelo título, a repercussão não alcança um nivel condizente com o tamanho do problema. O virus, chamado Coachella Valley, atinge não só tenistas, como vários juizes, torcedores, pegadores de bolas, jornalistas, pessoas de todas as idades. Segundo informações do jornal Desert Sun é transmitido pelo ar e o Eisenhover Medical Center registrou um aumento de 15% do atendimento a pacientes apresentando incômodos gastroentestinais, náuseas, votimos e, enfim, diarréia. A ação é de 24 a 48 horas, o suficiente para acabar com os sonhos de qualquer tenista na competição. O diretor médico do hospital, Dr. Euthym Kontaxis afirma que o pico da infestação já passou e a tendência agora seria de queda no número de infectados.

Enfim, os sobreviventes estão melhores chances de chegarem as finais sem serem importunados pelos vírus. Mas quem ficou pelo caminho foi prejudicado por um problema mais comum de Terceiro Mundo do que propriamente no conhecido recanto milionário de Palm Springs. Como compensar estes jogadores de tamanho prejuízo? Afinal, este é um evento que no caso da ATP dá zero pontos para quem não participa e na WTA é considerado 'mandatory'. Não sei que tipo de ações seriam tomadas se a competição tivesse como sede um outro local.

Confesso que Palm Springs é aprazível. No meio do deserto da Califórnia transformou-se em recanto de ricos aposentados. O Indian Wells Tennis Garden está ao pé das montanhas, que ainda nesta época do ano é possível observar os picos nevados. A região está repleta de luxuosos condomínios, inúmeros campos de golfes, bons restaurantes, opções interessantes de cozinha japonesa e, é claro, italianos. Os hotéis são ótimos e alguns lembram o embiente de Las Vegas. O Grand Hyatt, por exemplo, tem um hall de entrada que lembra a bela Veneza e chega-se a recepção em gôndolas. Certa vez, cheguei ao torneio em cima da hora e o pessoal da organização do torneio tinha poucas opções de hospedagem e indicou-me a um bem razoável, mas ao saber do valor da diária, acho que fiz uma cara tão assustada que a moça da recepção disse enfaticamente "Você está em Palm Springs". Bem... para pegar o tal de Coachella Valley não tem preço.


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Guga imortalizado; e o torneio olímpico
às 10h07 - por Chiquinho Leite Moreira

Grande Guga tornou-se um imortal do tênis. Nada mais justo para uma eleição em que os critérios exigem integridade esportiva e caráter, além das conquistas na quadra. O carisma do brasileiro agora recebe a honraria do Hall da Fama. Em julho, no tradicional torneio de Newport, numa cerimônia sempre repleta de emoções, ele estará ao lado do antigo rival das quadras, o russo Yvgeny Kafelnikov e da controvertida Jennifer Capriati. É motivo de muito orgulho para os brasileiros ter o nosso ídolo do tênis nesta posição, que até hoje só podíamos contar com Maria Esther Bueno.

A sua eleição, confesso, que não é surpresa. Quando recebemos as indicações já se pode dar como praticamente certa a premiação. Jornalistas de todo mundo, a grande maioria integrante da ITWA (International Tennis Writer's Association), historiadores e executivos do tênis precisam dar, pelo menos, 75% de aprovação. Mas os membros do International Tennis Hall of Fame são tão criteriosos na escolha e na apresentação dos candidatos que acho difícil alguém responder com um 'não', mesmo no caso de Capriati. Ao longo dos anos, não lembro que qualquer indicação tenha sido recusada. Acho também interessante esclarecer que Kafelnikov não estava competindo com Guga nesta eleição. Não se tratava da escolha de um ou de outro, mas simplesmente de votar a favor ou não em ambos os tenistas. Apenas é preciso alcançar o índice de 75% do total de votos respondidos.

Esta eleição de Guga ainda promete muitas emoções. A cerimônia em Newport é tradicionalíssima, com pompas e honras. Sempre que este assunto vem em pauta lembro das lágrimas do todo poderoso campeão, um dos maiores da história do tênis, o norte-americano Pete Sampras. Ele me dava a impressão de ser muito frio, mas nàquele momento revelou todo o seu lado humano.

Torneio Olímpico - A emoção também deve fazer parte dos Jogos de Londres. Como se sabe a disputa do tênis será no venerável All England Club. E nesta terça-feria recebi da ITF um manual do evento, confirmando que a quadra central estará fazendo parte do torneio olímpico. Confesso que tinha esta preocupação. Pode parecer absurda, mas sinceramente temia que os conservadores membros do clube do SW-19 não fossem liberar o templo sagrado do tênis para uma outra competição que não fosse o Grand Slam. Outra coisa inédita será a liberação das cores nacionais aos tenistas. Em 125 anos de história, o branco sempre foi predominante nas roupas dos tenistas. Mas para os Jogos de Londres, os competidores poderão entrar em quadra com as cores das bandeiras de seus países.

Serão usadas 12 quadras para jogos e outras sete para treinamentos. As chaves serão de 64 simples, masculina e feminina, 32 duplas e 16 duplas mistas. O ranking de entrada será o de 11 de junho. Mas a boa notícia é que a ITF, junto ao Comitê Olímpico Internacional, em nome do desenvolvimento do esporte mundialmente reserva alguns lugares para o uso do critério geográfico. Assim, um tenista de um país de pouca tradição no tênis, talvez ocupando a posição de número mil do ranking, e que, por isso, jamais teria a oportunidade de pisar no solo sagrado de Wimbledon poderá ganhar uma vaga no torneio olímpico. Na chave de simples entram 56 tenistas pelo ranking (máximo de quatro por nação) outras seis vagas reservadas para a ITF e mais dois wild cards nas mãos de uma comissão triparidária, COI, ITF e associações ATP ou WTA.


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Brasil Open: a vitória do tênis
às 20h29 - por Chiquinho Leite Moreira

Não foi a final dos sonhos, como muita gente queria. Thomaz Bellucci ficou pelo caminho, por razões já bem conhecidas e discutidas. Mas não se pode negar que o Brasil Open, agora em São Paulo - como diz o slogan - revelou-se num enorme sucesso. Foram quase dez mil pessoas no sábado e outras tantas no domingo, sem brasileiros na final de simples, mas dois deles em times diferentes na de duplas. Por isso acho que mais do que Nicolas Almagro quem ganhou foi o tênis brasileiro. O público curtiu os três sets de ambas decisões. A TV mostrou o tênis na aberta, com a transmissão da Bandeirantes e as perspectivas são muito boas, apesar de a gente não ter mais um Guga.

É claro que ainda há muito a melhorar, especialmente para o grande público. Mas os torcedores já fizeram a sua parte ao prestigar o evento, apesar de tantos incômodos, como filas, falta de estacionamento, poucas opções para comer, beber ou relaxar numa rodada que em alguns dias chegou a durar mais de 12 horas. Acho que depois do sucesso de bilheteria e mídia, a organização do Brasil Open ganha fôlego e motivação para investir no torneio tanto dentro como fora das quadras. O ginásio pirncipal, o Constâncio Vaz Guimarães, não é o ideal, mas mostrou recursos para acolher bem a competição. A logística também não é a melhor, com a locomoção entre o Círculo Militar e o Mauro Pinheiro, local em que da arquibandada não dava para ver a quadra toda. Enfim, já deu para detectar os principais problemas. Mas o maior desafio já foi superado com a emoção da torcida pelo tênis.,


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