Chiquinho Leite Moreira é um dos mais respeitados jornalistas brasileiros e conhecido formador de opinião. Agora em 2009 ao completar o seu 25o Roland Garros lança o blog tenis.com Chiquinho, com bastidores, história dos principais torneios mundiais, informações diferenciadas, e opiniões abalizadas.


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O mundo reverencia Djokovic
às 16h25 - por Chiquinho Leite Moreira

A façanha de Novak Djokovic em Melbourne Park mereceu destaque internacional. O mundo reverencia o herói sérvio e reconhece o valor de sua conquista no Aberto da Austrália. Sua épica vitória sobre Rafael Nadal ganhou as manchetes nos quatro cantos do planeta. Por aqui, Juca Kfouri resumiu em apenas uma palavra "extraordinário". O mais influente jornal esportivo francês, o L'Equipe escreve "Reste Le Maitre', alguma coisa como continua a ser o mestre. A Espanha encontrou uma forma genial de noticiar e homenagear os dois finalistas, com disse A Marca "Heroico Rafa - Inmenso Nole'. Outros como o The Guardian, Le Figaro ou Corriere della Sera enfatizaram a final mais longa da história do Grand Slam com 5h53 de duração.

Esta emoção duradoura causou alguns problemas. Matt Cronin, colega de tantas coberturas e ex-presidente da ITWA, blogueiro do NY Times ironizou que o jogo demorou tanto que lhe restou apenas duas horas para escrever, correr para o hotel, fazer as malas e embarcar de volta para Nova York. Não sem antes nos brindar com informações curiosas como uma afirmação de Djokovic. O sérvio contou que depois da partida lhe doia todo o corpo, alguns lugares que jamais imaginaria como a ponta dos dedos, mas confessou... 'estou curtindo essa dor'. Outra dessas frases marcantes ditas por Djokovic, segundo Cronin, é que o sérvio admitiu "uma pena que não possa ter dois vencedores", reconhecendo o esforço e qualidade do jogo de Nadal.

Acho que quem mais ganhou foi o próprio tênis. Até achei curioso o termo usado em diversas lugares referindo-se a esta final como épica. Com esta atual geração tivemos várias outras finais 'épicas' como Roger Federer contra Andy Roddick, em Wimbledon, e no mesmo torneio Federer e Nadal, em jogo que só terminou lá pelas nove e meia da noite. Nesta última partida, com duração próxima a cinco horas, lembro de um comentário na tevê, destes de quem só tem olhos para o futebol, reclamando... 'mas quem aguenta ver cinco horas de tênis'. Não sei o que poderiam dizer desta decisão eletrizante do Aberto da Austrália de 2012, mas vejo que somos privilegiados por ter o prazer e capacidade de ver, testemunhar este recorde de 5h53 de pura emoção. Mas é claro, isto não é para todos, só para os que entendem e admiram o esporte.


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Azarenka: uma rainha de direito e de fato
às 14h28 - por Chiquinho Leite Moreira

Uma nova líder do ranking mundial, alcançando o posto depois de conquistar um título de Grand Slam era tudo o que estava sonhando a WTA, para encerrar o ciclo de rainhas sem coroas, formado por Caroline Wozniacki, Dinara Safina e Jelena Jankovic. A bielo russa Victoria Azarenka assume a condição de número um com todo o direito pela boa pontuação acumalada nas últimas semanas e de fato demonstra ser a melhor tenista do momento. Aliás, ao meu ver, o título deste Aberto da Austrália foi decidido nas semifinais, quando a atual campeã derrotou a campeã do ano passado, Kim Clijsters.

Este é o momento de Victoria Azarenka. Ela já vinha demonstrando estar pronta para ganhar um Grand Slam, assim como pode se dizer o mesmo de Andy Murray, não tivesse ele encontrado com Novak Djokovic numa semifinal, em que o resultado poderia ter caído para qualquer lado (como a semi de Clijsters e Azarenka). A tenista bielo russa é a primeira de seu país a assumir a posição de número um. Ela ainda repete o feito de duas outras jogadoras que chegaram a liderança logo depois da conquista do primeiro Slam, como aconteceu com Martina Navratilova, em Wimbledon 78, e Ana Ivanovic, Roland Garros 2008.

Diferente do masculino, o tênis feminino apresenta com Azarenka a sua quarta campeã dos últimos quatro Slams. Samantha Stosur venceu no US Open, Petra Kvitova, em Wimbledon, e Na Li, Roland Garros. Acredito que atualmente apenas Kim Clijsters e Serena Williams poderiam ser capazes de exercer um domínio bem superior, como se revela com o quarteto fantástico entre os homens (Djoko, Rafael Nadal, Roger Federer e Murray). Mas a tenista belga não vem jogando com a necessária frequência e intensidade, enquanto a norte-americana sofre com problemas físicos.

O tênis feminino ganha com esta nova rainha. A modalidade torna-se mais atraente depois de um período de descrédito com as chamadas rainhas sem coroa. Além das últimas quatro campeãs de Slam, ainda não se pode desprezar a força de Maria Sharapova - finalista em Wimbledon e Melbourne -. Também nunca é demais lembrar a simpática mensagem de Clijsters após derrotar Wozniacki ao dizer que a dinamarquesa ainda pode alcançar o sonho de um Grand Slam. Por tudo isso, acredito que o tênis feminino ganha um novo fôlego, depois do Aberto da Austrália de 2012.

 


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Djoko mantém-se como o homem a ser batido
às 12h31 - por Chiquinho Leite Moreira

Apesar da boa forma apresentada por Roger Federer no final do ano passado, do bom condicionamento físico de Rafael Nadal, da enorme expectativa sobre Andy Murray, Novak Djokovic mantém-se no homem a ser batido, mesmo considerando o deslize no terceiro set diante de Lleyton Hewitt. Existe uma verdade no tênis competitivo: mais difícil do que chegar à liderança do ranking é segurar a posição de número um. Djoko, ao meu ver, não só demonstra recursos para deter o posto, como parece que seu jogo melhorou ainda mais. Algo incrível, difícil de se ver.

No início do ano passado, quando Novak Djokovic chegou forte ao Aberto da Austrália, até a conquista do título, seu desempenho chamou a atenção por uma série de bons ingredientes: um preparo físico espetacular, jogo consistente, variação e uma boa base tática. Agora, acrescentou ítens mais sofisticados que só mesmo com a confiança em alta é possível obter sucesso, ou seja, uma habilidade de toques refinados, algo para encher os olhos.

Num esporte tão difícil quanto o tênis, a precisão está intimamente ligada à confiança. Djokovic alcançou este estágio em que se pode dar ao luxo de execuitar golpes que só se arriscaria em treinamentos, exibições, situações com menor compromisso e responsabilidades. O seu desempenho até agora no torneio não deixa dúvidas de que o tenista sérvio está ainda melhor do que no ano passado. Assim, se pairava alguma expectativa sobre a possibilidade de manter a liderança, agora tudo leva a crer que pode repetir a extraordinária campanha do ano passado.

É claro que Djokovic ainda tem desafios enormes pela frente. Além disso, trata-se de um ser humano, o que deixou claro no terceiro set diante de Hewitt, quando vencia por 3 a 0 e complicou-se no jogo. Num torneio tão longo e difícil como um Slam tudo pode acontecer, mas as perspectivas são as melhores para o tenista sérvio.

Este estágio não se alcança sem motivos. Desde o final do ano passado, Djokovic parece ter iniciado uma fase de recuperação. Poupou-se nos eventos em que podia e que seu corpo já exigia e iniciou 2012 com baterias recarregadas. Não por acaso foi um dos primeiros a chegar em Melbourne e, pelo que mostrou até agora, pode ser o último a ir embora.


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Quanto vale o show do feminino?
às 19h57 - por Chiquinho Leite Moreira

Hoje em dia nem se fala mais da merecida batalha vencida pelas mulheres no tênis, na busca por premiações iguais aos homens. Além dos Slams, vários torneios do circuito da WTA pagam somas superiores aos torneios masculinos. Esta foi uma reivindicação que começou com Billie Jean King, passou por comentários irônicos de tenistas como Stefan Edberg, Richard Krajicek, mas atingiu o estágio atual.

Não resta dúvidas de que o tênis feminino anda bem mais atraente. As jogadores exibem um melhor físico, condicionamento e jogadas plásticas. Mas uma chave de 128 de um Grand Slam revela um outro fato que chama atenção. Afinal, quanto vale o show do feminino? Muitos jogos até agora não demonstraram qualquer equilíbrio e foram decididos rapidamente. Até a terceira rodada do Aberto da Austrália, Victoria Azarenka em seus jogos perdeu apenas dois games. O mesmo número de Maria Sharapova. Kim Clijsters cedeu sete, Serena Williams, oito; e Caroline Wozniacki, dez. Apenas Petra Kvitova passou por um susto em seu encontro com a espanhola Carla Suarez Navarro perdeu um set e um total de 14 games em duas partidas.

Esse fato, com certeza, não passaria em branco em outros tempos nas coletivas de Edberg e Krajicek, que voltariam a reclamar que as mulheres pouco jogam, enquanto no masculino as partidas são em melhor de cinco sets. O consolo é que neste Aberto da Austrália existe um ingrediente a mais. Segundo informações oficiais da WTA Wozniacki, Kvitova, Azarenka e Sharapova podem deixar Melbourne com a liderança do ranking. Há ainda as boas primeiras rodadas de Serena Williams e Kim Clijsters, que deixam boas perspectivas de emoções mais fortes para as próximas rodadas.


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Será que Nadal segue os passos de Borg e para aos 26 anos
às 14h13 - por Chiquinho Leite Moreira

Um pouco antes do início da temporada de 2012 recebi uma pesquisa que me soou um pouco estranha. A competente jornalista francesa, Cécile Soler, do Le Figaro, colocou em seu blog alguns argumentos e fatos que poderiam levar o espanhol Rafael Nadal a seguir os passos do sueco Bjorn Borg, que também tem seis títulos em Roland Garros, e abandonou a carreira precocemente aos 26 anos. A pergunta era 'Nadal peut-il claquer la porte à 26 ans, comme Borg?

De imediato entrei no comentário do blog e respondi que apesar das várias lesões, não via qualquer possibilidade de Nadal seguir Borg, mesmo porque a decisão do sueco de abandonar o circuito estava ligada a uma série de coisas, como questões pessoais. Além disso, alguns anos depois - já enfrentando dificuldades financeiras, após uma sociedade mal administrada - Borg arrependeu-se e tentou voltar jogando em Monte Carlo, mas não deu certo.

No blog, a autora inseriu alguns dados interessantes que definiu como 'sinais inconfundíveis'. Lesões que se seguem uma outra. O acúmulo de derrotas para o homem que lhe roubou a liderança do ranking. Pesquisou ainda algumas declarações de Nadal, entre elas a de que já não se sentia mentalmente tão forte como antes e uma outra publicada no diário espanhol El País, em que dizia "ao longo do tempo perdemos uma pouco da intensidade"

O assunto segue atualizado. Nadal um pouco antes de sua estreia em Melbourne sentiu um 'click' no seu joelho e, preocupado, passou por ressonância magnética, antes de entrar em quadra. O espanhol também já anunciou que no próximo mês dá uma pausa no circuito para tratamento e possível cirurgia no ombro.

Ainda assim continuo com a mesma opinião revelada no comentário do blog. Mas nunca é demais lembrar: Nadal irá completar 26 anos na primavera europeia, justamente durante a disputa do torneio de Roland Garros.

Partidos diferentes - Roger Federer é o presidente do conselho dos jogadores na ATP. Rafael Nadal é o vice. As discordâncias entre ambos começaram na escolha do nome para substituir Adam Helfant na presidência da associação, hoje com Brad Drewett. Agora, fica claro que na discussão sobre o calendário, os dois tenistas pertencem a partidos diferentes. Federer está na situação e Nadal na oposição.


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AO um desafio sob o sol da Oceânia
às 13h46 - por Chiquinho Leite Moreira

O Australian Open por muito tempo foi considerado - sem ironias ao nome, por favor - o mais aberto dos Grand Slams. Por um período chegou a ser desprezado por algumas estrelas internacionais, o que obrigou a organização a promover a mudança de data. Era disputado no final do ano e passou a abrir a temporada, como acontece atualmente. Hoje os tempos são outros e ninguém quer deixar escapar a oportunidade de vencer um título dessa importância, acumular dólares e pontos. Apesar disso, ainda acredito que se houvesse um ranking para os Slams, o de Melbourne Park estaria na lanterna.

Alguns fatos contribuem para este tom. A distância é enorme, o fuso horário cruel, o sol arrasador e a comida... Para contribuir, certa vez, antes de embarcar para a Oceânia, o técnico Larri Passos, pelo telefone, mandou-se um recado. "Não esqueça de trazer um mata moscas". Aquilo me soou como uma pegadinha. Alguns dias depois e muitas e muitas horas de vôo entendi a mensagem. Ao deixar o hotel e caminhar pelo parque que dá acesso ao complexo de tênis dei graças a Deus de estar sozinho e não precisar abrir a boca para conversar.

A atmosfera do torneio é atraente. Torcida animada, algumas até demais, especialmente quando duelam em quadra representantes de colônias de imigrantes do Leste Europeu. Para mim, o grupo mais legal sempre foi formado pelos suecos. Não sei por qual razão, mas parece que os jovens Vikings planejam suas férias para curtir o Australian Open. São alegres, coloridos e quando um tenista vai sacar no 30 a 40 cantam uma música cujo refrão é 'under pressure" (é claro).

Mesmo com toda a torcida, não há em Melbourne Park os atropelos de Wimbledon em que se fica preso nos corredores das quadras; o aperto de Roland Garros, o menor espaço físico dos Slams, que não comporta mais tanta gente; e a assustadora multidão do US Open. No Aberto da Austrália tudo é mais tranquilo. Bem pelo menos para a torcida e o pessoal da mídia, porque na quadra a coisa pega fogo, litaralmente com temperaturas beirando os 40 graus centígrados.

No AO também o número de representantes da mídia é menor em comparação aos outros Slams. Lembro quando Marcelo Rios chegou a final e o pessoal da ATP e da ITF veio a minha mesa quase que suplicando para ir a entrevista do chileno, pois temiam que a conferência de imprensa ficasse vazia num momento tão importante do evento. Isso, certamente, não aconteceria em Roland Garros, Wimbledon ou US Open em que as conferências de imprensa com os finalistas são das mais concorridas.

Como um Grand Slam sempre é diferente e possui um apelo muito grande, não dá para deixar de ficar ansioso pelo que pode acontecer nas quadras de Melbourne Park. No lado feminino, respondi a três perguntas para um jornal dinamarquês em que deixei claro que Caroline Wozniacki fez a escolha certa de treinador, Ricardo Sanchez, mas continua errando no calendário. Ainda acho que para quem busca um troféu destes é preciso  estar mais focado. Não deveria jogar na semana que antece o evento e poderia esquecer um pouco as exibições como fez na Tailândia e o reveillon com o namorado Rory McIlroy. Kim Clijsters continua um mistério e acredito que agiu bem ao deixar a quadra em Brisbane. O mesmo fez Roger Federer em Doha. Já Novak Djokovic foi um dos primeiros a chegar a Melbourne e parece novamente muito forte. Mas por tudo que a gente sabe de Ivan Lendl confesso que estou curioso para ver o comportamento de Andy Murray neste primeiro Grand Slam do ano.


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A velocidade do jogo
às 12h14 - por Chiquinho Leite Moreira

Muita gente costuma me perguntar sobre a diferença de torneios, challengers, ATPs, Slams, e de ranking, top ten, entre os 50, ou 100, 200. Mais do que simplesmente dissertar sobre premiações das competições, proporcionais à sua importância, e regras de acúmulos de pontos no ranking, acho que um detalhe dos mais importantes está na velocidade do jogo. Aos olhos de um torcedor apaixonado pelo esporte, esta é uma característica que merece uma atenção especial e muita reflexão. Atenção: antes de interpretações precipitadas esclereço que existe beleza e arte nos mais diversos níveis e pode-se curtir o tênis sob diversos ângulos.

Esta semana estive no Parque Villa Lobos. Legal que a torcida compareceu, revelando esta vocação do Aberto de São Paulo. Estava observando um jogo na quadra central e um detalhe me chamou atenção. Tive a impressão de que a partida estava sendo jogada em slow motion, uma coisa parecida com as saudosas exibições de futebol no Canal 100. Quem tiver mais de idade vai lembrar disso. Antes de começar a sessão de cinema, a gente se deliciava com várias jogadas espetaculares numa velocidade um pouco mais lenta do que o normal.

No tênis esta pequena alteração de velocidade faz toda a diferença. Não vejo nenhum demérito nos dois tenistas do Aberto de São Paulo que corriam debaixo de um sol forte, numa superfície que estava mais lenta do que o normal, mas ainda assim não o suficiente para marcar a distância que envolve jogadores acima dos 50, 100 do ranking para àqueles que já ocuparam um lugar entre os top ten.

Este detalhe, estes mesmo torcedores que estiveram no Parque Villa Lobos irão poder conferir na disputa do Brasil Open, dentro de algumas semanas no Ginásio do Ibirapuera. Jogadores como Fernando Verdasco conseguem imprimir uma velocidade em seus golpes que fazem a diferença. Sem falar da rapidez de pernas e do físico, que também são fundamentais mas não é o assunto principal agora. A verdade é que este espanhol faz parte de um grupo de jogadores que têm um algo a mais. Existem exemplos marcantes, que servem para demonstrar este fato. Observe o argentino Juan Ignacio Chella, a quem vi jogando por aí em torneios challengers, como Campos do Jordão. Ele em alguns momentos de seu jogo consegue igualar a rapidez de um top ten. Não se trata de força, mas sim velocidade na ponta da raquete.

Numa comparação com outro esporte em que a velocidade é que faz a diferença, um jogador de golfe profissional consegue no seu swing mandar a bolinha a mais de 350 jardas. Não é força, mas sim uma série de ingredientes que só são possíveis para alguns e que costuma premiar os que treinam mais, só que também é preciso ter nascido com o talento.

Jovens jogadores de tênis também nos encantam com sua técnica e plástica. Muitos pais me chamam atenção para seus filhos e realmente concordo que jogam um tênis invejável. Direitas consistentes, esquerdas admiráveis, bons sacadores. Mas me recuso a apontar seus destinos, mesmo porque minha formação é acadêmica, só que os anos de tour treinaram meus olhos.

Nos acostumamos nos últimos tempos a jogos de alto nível, nas inúmeras transmissões pelas tevês. São jogadores como Novak Djokovic, Rafael Nadal, Roger Federer, Andy Murray. Mas um jogo ao vivo, lá na quadra, proporciona a visualização de detalhes que irão mostrar a diferença entre os torneios e da classificação do ranking.

 


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Murray chama Ivan, o Terrível, para ganhar Slam em 2012
às 18h35 - por Chiquinho Leite Moreira

Sério, compenetrado e com extrema disciplina profissional, Ivan Lendl estava longe de ser uma figura simpática nos seus tempos de Tour. Lembro que para o primeiro número da Revista Tenis, edição Brasil, o então editor, José Nilton, encarregou me de fazer uma exclusiva com o bicampeão de Roland Garros, em 1986, e comprar material fotográfico. A foto da capa refletia nitidamente a imagem do tenista tcheco e o Zé deu de manchete "Cara de mau, gênio de campeão". Naquela época era relativamente mais simples conseguir uma entrevista. Não éramos mais do que 300 jornalistas, contra os mais de 1,5 mil dos dias de hoje. Mas ainda assim, diante do carrancudo jogador não foi muito fácil tirar boas histórias. Tive de recorrer aos bastidores para dar um tempero mais agradável e interessante à reportagem.

Esta experiência com Lendl, nascido na inóspita Ostrava, só foi ter uma resposta, uma explicação ao seu comportamento, muitos anos depois, quando estive em sua cidade natal com a equipe brasileira da Copa Davis, com Guga e Cia, para o confronto contra a República Tcheca. No quarto do hotel havia um comunicado explicando que a população local - muitos de origem de mineradores - não era hospitaleira. Sem dúvida, um fato intimidador colocar um aviso destes justamente num local de estrangeiros, mas para mim soou como um clique ao referido encontro com Lendl, em Roland Garros de 1986.

Lendl rivalizava na sua época com jogadores como Mats Wilander, Stefan Edberg, que compartilhavam de sua frieza, ou deparava-se diante de contrastes como o temperamental John McEnroe, ou o explosivo Boris Becker. A primeira vez que acompanhei um jogo do tenista tcheco foi na final de Roland Garros de 1985, quando perdeu para Mats Wilander. Era minha estréia no torneio parisiense e minha credencial não me dava acesso à quadra central para o dia da final. Mas o tempo naquele dia estava terrivel e carrancudo. Chuva fina, frio e a partida sofreu diversas paralisações. Num destes intervalos, a tribuna de imprensa (que não era coberta como hoje) ficou praticamente vazia. O porteiro deixou me entrar e fiquei impressionado com os golpes do tcheco. Sua bola, numa superfície pesada, parecia curta e nada agressiva aos meus olhos inexperientes. Mas depois de alguns games, notei que imprimia tanto efeito na bolinha, que ao quicar no chão ganhava uma velocidade tamanha capaz de jogar Wilander lá p'ra trás. Como o sueco também não era qualquer um, manteve-se no jogo e venceu a partida.

Antes de encerrar a carreira, Lendl ainda viu o aparecimento de um jovem talento: o norte-americano Pete Sampras. Como sabia do estilo austero e determinado do jovem tenista, ele o convidou para um período de treinamentos em sua mansão nos Estados Unidos. Já havia adquirido a cidadania americana e tinha em sua casa uma quadra das mais sofisticadas, como contou-me certa vez Cássio Motta. O tenista brasileiro sabia da história que nesta quadra, Lendl havia instalado um sistema em que ficavam marcadas os locais exatos em que a bolinha caia. Isso servia em muito, quando 'passava seu tempo' trocando bolas com uma máquina, o chamado canhão, equipamento muito comum nos Estados Unidos, mas praticamente inexistente no Brasil.

Depois que Lendl encerrou a carreira, só tive mais uma oportunida de vê-lo. Foi no torneio de Miami. Ele estava gordo. Isso mesmo gordo e sorridente, como jamais havia visto. Ouvi dizer que se dedicou ao golfe com afinco e até teria pensado em ser profissional do PGA Tour.

Agora Ivan Lendl volta ao Tour de tênis como treinador de Andy Murray. Sua missão é de dar ao britânico um título de Grand Slam. Ele sabe o caminho das pedras. Tanto é que ganhou oito troféus desta importância e tem apenas uma frustração a de jamais ter vencido em Wimbledon. Lembro bem de um episódio seu no All England Club. Fazia, acredito ser uma semifinal contra Becker, e numa tentativa de intimidar o juiz de cadeira, por sinal o brasileiro Paulo Pereira, reclamou em voz alta: "Você não imagina o trabalho e o sacrifício que venho fazendo para vencer aqui e você não pode estragar tudo". Paulo Pereira estava seguro da marcação, não tinha dúvidas, pois a bola havia saído na linha de sua cadeira. Tanto foi que ninguém colocou em dúvida a definição do ponto, mas a declaração de Lendl rendeu muitas histórias.

Esta sua determinação, seriedade e profissionalismo certamente serão importantes para colocar Andy Murray em condições de conquistar o tão sonhado Slam. Que eu saiba, Lendl não tem experiência como treinador, mas vários outros técnicos ao seu estilo alcançaram muito sucesso. Veja o exemplo de Larri Passos, que com sua mão forte fez o surfista catarinense reinar nas quadras de todo o mundo.

 


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Wozniacki esquece o Natal e vai a luta
às 15h18 - por Chiquinho Leite Moreira

Até agora Caroline Wozniacki sempre tentou dissimular, fingir que não é importante, mas decidiu colocar como prioridade a conquista de um título de Grand Slam. Mais ainda: espera alcançar esse objetivo já no próximo mês, na disputa do Aberto da Austrália. A atual número um do mundo resolveu ir a luta. Colocou seu pai Piotr de lado e contratou um técnico experiente e ambicioso como o espanhol Ricardo Sanchez para mudar o rumo da carreira e acabar com a fama de jogadora defensiva. Acho que o prêmio da ITF - Federação Internacional de Tênis - para Petra Kvitova, como a melhor do ano de 2011, mexeu com os brios da dinamarquesa. Já não era sem tempo.

Em Dubai, a meio caminho da Oceânia, Caroline Wozniacki esqueceu o Natal, as festas de fim de ano e já iniciou a sua preparação para o Aberto da Austrália, com a promessa de uma mudança de estilo já nas primeiras semanas de 2012. Li algumas declarações de Ricardo Sanchez e confesso que fiquei impressionado com sua visão otimista, sem limites. Para o treinador, que já levou Jelena Jankovic a ocupar a liderança do rankiing, a atual número um do mundo precisa melhorar o seu tênis em três aspectos. De uma forma geral, aperfeiçoar o contra ataque e, especialmente, dar maior potência e versatilidade a sua direita.

O que mais me chamou a atenção foram as comparações de Sanchez. Ele afirmou que o forehand de Wozniacki pode ter características como as de um homem e ousou ainda dizer que tão forte quanto. Acrescentou ainda que a tenista poderia ter um 'inside out' como o de Rafael Nadal. E olha só, um slice como o de Roger Federer. Também citou Novak Djokovic.

Enfim, se Caroline Wozniacki aparecer tão forte assim em 2012, não resta a menor dúvida de que não só ganharia o Aberto da Austrália, como venceria muitos outros. E, sem ironias, realmente uma líder da WTA mais forte na próxima temporada seria bastante interessante para o tênis feminino. Independente de ser fã ou não da dinamarquesa, ela deve mesmo, mais cedo ou mais tarde, levantar um troféu de Slam.

E antes de encerrar, agora sim uma ironia: Dubai é o local em que Federer gosta de fazer sua pré-temporada. Se ambos treinarem juntos, Wozniacki teria sim muito a aprender.

 


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Federer na corrida para # 1
às 11h38 - por Chiquinho Leite Moreira

O forte final de temporada, com as conquistas dos títulos da Basiléia, Masters 1000 de Paris e ATP Finals, em Londres, convenceram Roger Federer de que ele pode voltar a brigar pela liderança do ranking mundial, apesar da enorme diferença de pontos que o separa de Novak Djokovic. O tenista suíço acredita que em 2012 pode estabelecer mais um recorde na sua já gloriosa carreira, ou seja, o de superar as 286 semanas na liderança de Pete Sampras. Falta pouco. Basta apenas beliscar uma vez mais a condição de número 1.

Este plano, sonho ou objetivo está destacado em uma entrevista de Roger Federer para o jornalista norte-americano Christopher Clarey, editada recentemente no New York Times. Chris é uma repórter admirável, com vocação para o que faz. Cobriu diversos Jogos Olímpicos, duas Copas do Mundo - de futebol, o que para jornais americanos não é algo tão simples assim -. É um cosmopolita. Fala francês com invejável fluência e por um certo momento resolveu morar em Valência, na Espanha, o me faz presumir que também domine o espanhol, embora ele sempre converse comigo em inglês. Conto estes detalhes para deixar claro que Chris não precisa 'vender' matérias e, por isso, não apela para o sensacionalismo. Suas reportagens têm o tom da credibilidade, não se tratam de meros press releases.

Na entrevista, Federer revela vários planos para o próximo ano. Mas, a princípio acho que se deve destacar um detalhe. Tanto na Basiléia, como em Paris ou mesmo no ATP Finals, o suíço não teve pela frente os seus mais fortes adversários em plena forma. Novak Djokovic e Rafael Nadal estiveram muito aquém neste final de temporada e até mesmo Andy Murray saiu prematuramente do torneio de Londres. Não coloco em dúvida a capacidade de Roger Federer, talvez o maior de todos os tempos, mas este é um fato.

O ano de 2012 para Federer promete ser intenso. Ele confirmou que irá defender a Suíça na primeira rodada da Copa Davis, diante dos Estados Unidos. Quer ainda uma medalha de ouro olímpica em simples. E nunca é demais lembrar que o torneio olímpico de tênis será jogado apenas algumas semanas depois de Wimbledon, onde o suíço coleciona seis troféus.

Outro detalhe interessante é que Federer reuniu-se com Nadal em Londres para discutir o futuro da ATP. O espanhol apoia a candidatura do ex-tenista holandês Richard Krajicek para assumir a presidência da associação, enquanto o suíço considera importante um profissional com larga experiência em marketing e negócios internacionais para substituir Adam Helfant, que está deixando a direção da ATP.

Independente da parte política, a briga boa mesmo deverá acontecer em quadra. Acredito que já no Aberto da Austrália tanto Nadal, como Djokovic e Murray estejam em plena forma. E aí será uma bela oportunidade para Federer iniciar sua batalha para recuperar a liderança do ranking, com um ânimo renovado aos 30 anos de idade.

 


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Nadal Balboa garante título à Espanha
às 16h05 - por Chiquinho Leite Moreira

E Viva a Espanha. Num plágio a genial ideia do jornalista Flávio Adauto, que certa vez escreveu página de jornal dedicada aos espanhóis, rendo minha homenagem a maior nação do tênis da atualidade. São cinco títulos de Copa Davis desde 2000, com conquistas em 2004, 2008, 2009 e agora em 2011. Um total de 13 jogadores entre os cem e três no seleto grupo dos top ten: Rafael Nadal, David Ferrer e Nicolas Almagro.

Nem precisaria, mas o título deste ano da Copa Davis veio num momento importante. A reputação dos jogadores espanhóis foi atingida com recente declaração do ex campeão francês Yannick Noah, dizendo que os tenistas da Espanha não respeitam as normas do antidoping. Esta história vem desde dos tempos do técnico Pato Alvarez que cuidava da carreira de nomes como Sergio Casal, Emílio e Javier Sanches, mas nada ficou provado. Nadal é um exemplo desta verdadeira perseguição, podemos dizer assim. Afinal, apesar de tantas desconfianças nunca nada foi encontrado que pudesse colocar em dúvida a lisura do atual número dois do ranking. Já se noticiou que ele perdeu oito quilos e isso poderia ser um sintoma de quem precisou se resguardar. Mas um detalhe é preciso enfatizar. A França de Noah, desde o escândalo do ciclismo no Tour de France, instituiu um controle antidoping sob regência do próprio governo francês. Trata-se de um comitê com amplas poderes e ações em todos os eventos esportivos realizados em território francês. E Roland Garros faz parte disso. No Aberto da França o controle não vem da ATP, nem mesmo da ITF, mas sim deste comitê.

Lembro certa vez em Hamburgo, torneio que precedia RG, ter visto um enorme aviso na sala dos jogadores destacando que a partir dàquele ano, os exames antidoping viriam deste comitê. Comentou-se que alguns jogadores deixariam de jogar o Aberto da França, mas nada de marcante aconteceu. Nadal foi campeão e deve ter passado por todos os testes, sem qualquer privilégio.

Até que se prove o contrário, Rafael Nadal é um grande lutador. Não é segredo que ele vem jogando bem abaixo de suas reais condições físicas. Mas, ainda assim reuniu forças e condições para superar um adversário da qualidade de Juan Martin Del Potro e dar o ponto do título para a Espanha. Nadal é um vencedor. E por isso não poderia ter sido mais adequado a trilha sonora de Rocky Balboa, protagonizado por Sylvester Stallone, contagiando o público ao fim da partida. Afinal, Rocky Nadal Balboa havia se superado e conquistado mais uma vitória duríssima, repleta de emoção, raça e, por que não, talento.


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Imposto britânico afugenta atletas
às 14h17 - por Chiquinho Leite Moreira

Rafael Nadal já anunciou que não jogará o torneio de Queen's no próximo ano e irá copiar o calendário de Roger Federer, indo para Halle, na Alemanha, na semana de preparação para Wimbledon. O jamaicano Usain Bolt pode até boicotar a Olimpíada de Londres, em 2012, e nem consigo imaginar o que podem fazer os astros da NBA, se não houver mudança na atual política de taxação de impostos para atletas não residentes no Reino Unido. O assunto dominou as conversas de bastidores do ATP Finals, na O2 Arena, e marcou o início de uma grande discussão. Será que a Inglaterra perde o Master Cup, após 2013 quando encerra-se o contrato de cinco anos com a ATP? Será que atletas do calibre de Usain Bolt irão esvaziar a Olimpíada?

A atual taxação do Reino Unido, além da cobrança sobre os prêmios ganhos nas competições, prevê um porcentual do todo o patrocínio global dos atletas, relativo aos dias em que estiver em solo britânico. Ou seja, tudo que um tenista recebe de todos os seus contratos, como roupas, raquetes, publicidades etc e tal é taxado e cresce a cada 24 horas de permanência na competição. Segundo cálculos do Blooberg - http://www.bloomberg.com/news/2011-11-25/u-k-tax-that-pushed-rafael-nadal-to-germany-brings-in-105-million-a-year.html - com informações da Forbes, Rafael Nadal faturou US$ 20,5 milhões na atual temporada, relativo a nove contratos de patrocínios. Como participou de 20 eventos, três deles no Reino Unido sofreu uma taxação de 15%, que pode cair para 10% com a sua ausência no torneio de Queen's, no próximo ano.

Situação ainda mais curiosa aconteceria com um maratonista que no caso de disputar duas corridas por ano, sendo uma delas na maratona de Londres, teria seus ganhos taxado em 50%. Esta política vai causar também discussões com os jogadores da Champions Leage, em Wembley, e pode influenciar na permanência de eventos como o ATP Finals no Reino Unido, que recém completou o terceiro ano de um total de cinco de contrato. No tênis, a ameaça ainda é maior com o interesse de países de rápido crescimento econômico, como o Brasil, com o Rio de Janeiro já se candidatando à sede do evento a partir de 2014.

O Lawn Tennis Association - principal entidade do tênis britânico - através de seu presidente Roger Draper já agendou uma reunião com o chanceler George Osborne, ministro da Fazenda do Reino Unido, para março. A idéia é pedir um regime de exceção para a modalidade. A alegação é a de que o ATP Finals fixou-se num sucesso absoluto, com a última edição registrando recorde de público. Os ingleses não querem perder o evento e não escondem os receios pelos apelos do Rio de Janeiro.

Só que a mordida do leão inglês é grande. Abocanha milhões e milhões de libras esterlinas anualmente de atletas não residentes e esta política já não é de hoje. Em 2006, Andre Agassi perdeu uma disputa com o governo britânico de 27,5 mil libras. Nada adiantou sua briga nos tribunais. A diferença é que com a proximidade da Olimpíada, o assunto vem ganhando uma dimensão jamais vista e a reunião com Osborne em marco revela uma importância vital não só para o futuro do ATP Finals, mas também para os Jogos de Londres.


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Será o céu o limite para Federer?
às 21h15 - por Chiquinho Leite Moreira

Com a bela vitória sobre Jo-Wilfried Tsonga, e um espetacular terceiro set, Roger Federer acaba de estabelecer um novo recorde. É o primeiro jogador a conquistar pela sexta vez o título do ATP Finals, superando os cinco troféus do Master Cup de Ivan Lendl, outro devorador de marcas. Mas será que o céu é o limite para o suíço, ou ele deve mesmo contentar-se com tudo o que já ganhou? Tenistas são competitivos. O próprio Federer já declarou que ser o dois, três ou quatro do ranking é a mesma coisa. O que importa é a liderança. Só que aos 30 anos e num nível tão exigente como anda o circuito atualmente, talvez o melhor seja escolher o seu caminho e selecionar as competições.

Em Londres, como bem descreveu o Zé Nilton, Federer viu o seu carisma em alta, ao ser aplaudido por mais de 17 mil pessoas. Na terra da rainha foi reverenciado como um rei. E justamente nesta semana passou a fazer parte do Clube dos 800. Está em sexto lugar na lista dos tenistas que mais vitórias obtiveram ao longo da carreira. A liderança é de Jimmy Connors, com 1.242; seguido por Ivan Lendl, com 1.071; Guillermo Vilas, 923: John McEnroe, 875; e Andre Agassi, 870. Alguns destes jogadores para atingirem estas expressivas marcas disputavam até torneios do clube da esquina. Não acho que este seja o caso do suíço.

Com a estrela de ser considerado o melhor tenista de todos os tempos, um reconhecimento que vem até de rivais fortes como Pete Sampras, Roger Federer poderá ser mesmo o maior de todos, mas sem ter números absolutos. Em sua entrevista, após o título em Londres, deixou claro que seu foco vai para os Slams. Não quis comentar ainda a Olimpíada. Justificou que falta muito tempo. Mas pode sim direcionar sua preparação para estes grandes momentos, deixando um pouco de lado, torneios e torneios que podem elevar seus números, mas complicá-lo no valor das glórias.

Para 2012 acho que não seria arriscar muito em esperar um Roger Federer bem preparado nos Slams, olhando para o ouro de simples da Olimpíada de Londres e, por que não, para a Copa Davis. Esta é uma competição exigente, que Sampras lembra em seu livro "Mente de Campeão" que lhe tomava dois meses, mas que o próprio norte-americano reconheceu a importância de disputá-la, apesar de com isso ter de desviar-se um pouco dos objetivos da carreira solo.

No atual momento, Federer pode se dar ao luxo de destinar maior atenção à Davis. É claro que tem de contar com o comprometimento de seu amigo Stanislas Wanwrinka, outro bom jogador e que desde muito jovem convive com Federer. Afinal, não sei se correr atrás de vitórias e vitórias seja um boa alternativa. Veja que o suíço em Londres fixou-se como o tenista mais velho a ganhar um título na temporada. Isso com 30 anos, o que demonstra como o circuito está muito mais exigente, diferente dos tempos em que jogadores como Connors ganhavam troféus já perto dos 40.


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Rio flerta com o Master
às 22h07 - por Chiquinho Leite Moreira

O Rio de Janeiro deu um passo importante para trazer ao Brasil o Master Cup, ou como é chamado atualmente de ATP Finals. Esta semana, a ATP anunciou um acordo de patrocínio com a Cidade Maravilhosa que acredito envolver muito mais do que a divulgação de um destino turístico. Há alguns meses, no Clube Harmonia,no lançamento do Challenger Finals, disputado na última semana no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, conversei com o executivo da ATP, o brasileiro André Silva. Comedido, disse que realmente existe uma tendência em se levar o Master a lugares que irão acolher os Jogos Olímpicos. Aconteceu com a China e agora com a Inglaterra. Ele ainda me informou que o acordo com os ingleses segue até 2013, com opção para mais um ano. Acrescentou que todos estão contentes com o evento a O2 Arena, mas, é claro, abertos a negociações. Isto é, não seria um sonho impossível ter os melhores do mundo jogando no Rio em 2014 ou o mais tardar em 2015.

Alguns detalhes colaboram para a vinda deste grande evento ao Brasil. Ao contrário de um Slam, o Master não exige um enorme complexo, mas sim apenas algumas quadras, com um único estádio para os jogos. Além disso, a premiação de quase US$ 5 milhões já está paga pelos patrocinadores da ATP. A logística para oito jogadores (mais duplistas) não é assim tão complicada. E um evento destes certamente serviria para apresentar o poder de organização do Rio. Se tudo der certo a cidade ganha maior confiança e credibilidade para atrair ainda mais turístas de todo mundo para a Olimpíada.

From London - Esta veio de um amigo de longos anos, destes apaixonados por tênis, desde os tempos saudosos dos torneios Grand Prix do Guarujá. Assistindo aos jogos da O2 Arena, ele observou que na partida de Nadal com Fish havia muito mais torcida para o americano do que para o espanhol. Estranhou o fato e dá para imaginar como estará o ambiente nesta terça-feira para um dos mais tradicionais duelos da história do tênis: Nadal x Federer.

 


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Físico pode definir Londres
às 11h31 - por Chiquinho Leite Moreira

Quem vai levar Londres? A resposta parece ser impossível neste momento especialmente diante de uma geração tão rica em talentos. Mas como costumo dizer que o tênis hoje em dia é 70% pernas e 30% técnica, acredito que o físico irá definir o campeão do ATP Finals. Neste olhar, apenas como ironia, pode-se ver Roger Federer como 100% técnica e Rafael Nadal 100% físico. Novak Djokovic é uma mistura desses dois aspectos, acrescentando ingredientes como raça e catimba. Andy Murray mostrou físico e espírito vencedor em sua turnê pela Ásia. Se repetir a performance esta semana é sério candidato.

A predominância do físico, na minha opinião -e claro que não é a de todos -, ficou evidente neste início de temporada. Novak Djokovic chegou ao Aberto da Austrália diferente. Era um novo jogador cheio de disposição a ponto de iniciar uma série incrível de vitórias, num ano memorável capaz de levá-lo, com todos os méritos, à posição de número um do ranking mundial. Foi o primeiro tenista que levou Nadal a se curvar, sentir que estava sendo superado no aspecto físico. A mais comentada explicação para este novo vigor veio de seu diagnóstico de intolerância a glúten.

Além dessa fenomenal disposição física, Djokovic revelou-se um tremendo vencedor. Não dá para esquecer aquele 40-15 das semifinais do US Open, quando fez uma incrível devolução de saque no match point diante de Federer e mudou o rumo da história. Salvo por um milagre, o tenista sérvio ergueu os braços, chamou a torcida, sorriu para o adversário, buscou tirar a concentração do suíço e conseguiu a virada. Catimbou, mas não sei se pode-se culpá-lo por isso. Num esporte tão competitivo, individual, estes recursos são comuns. Particularmente não gosto, mas não só na quadra como na vida, temos de enfrentar estas artimanhas.

Mais recentemente, Andy Murray apareceu com desempenho semelhante nos torneios da Ásia. Aplicou um pneu em Nadal e isto é um fato raríssimo, marcante. Acho que o britânico encheu-se de confiança, mas creio que seu maior desafio seja superar a pressão de estar jogando em casa. Nesta temporada asiática andei olhando diversos jornais ingleses e era inacreditável a cobrança que se fazia no escocês. A mídia o colocou lá em cima. E pelo que conheço dos jornais britânicos, de uma hora para outra, ele pode ser também motivo de piadas. O chamado humor inglês é cruel.

Federer também aparece num bom momento. A conquista em Paris foi muito importante para chegar a Londres confiante. No caso do suíço temos a tendência de enfatizar sua espetacular técnica. É difícil comentar suas lesões. Aliás, também tinha a impressão - como muitos - de que ele não sofre com contusões, com problemas físicos. Mas depois de conversas com o jornalista suíço René Sttaufer e de trabalhar na revisão técnica da edição em português da biografia do tenista, mudei minha visão. Afinal, Federer também sofreu com lesões, mas como parece ser muito discreto nestes assuntos, jamais justificar derrotas por este motivo, quase não se fala no assunto. Mas vejo que o físico do suíço é também um fator determinante em seu jogo (por isso falei lá em cima ser uma ironia o 100% técnica). Antecipa-se e sempre chega bem nas bolas. Tenho a desconfiança que adquiriu seu bom trabalho de pernas jogando squash.

Como o assunto é físico, fica muito fácil concluir que se Rafael Nadal demonstrar em Londres estar 100% fisicamente é claro que pode levar o título.


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