Fantá$tico Federer adora os número$
às
20h31 - por
Chiquinho Leite Moreira
Roger Federer esteve fantá$tico (o cifrão não está aí por acaso) em sua vitória sobre Novak Djokovic. Bateu o número um do mundo, transformou-se no primeiro homem a chegar a oitava final em Wimbledon, está a uma vitória de tornar-se novamente o # 1 do ranking. Pode ainda igualar os sete títulos de Pete Sampras, assim como somaria 286 semanas no topo do ranking, o mesmo período ocupado pelo tenista norte-americano.
Diante de Djokovic, em seu primeiro encontro com o sérvio numa quadra de grama, Roger Federer conseguiu virar uma situação desfavorável e soube aproveitar o fato de o jogo ter sido disputado com o teto fechado (seu saque foi um exemplo). Das últimas sete vezes que havia enfrentado sérvio, perdeu seis, incluindo quatro jogos em Slams.
A situação de Federer para esta semifinal não era assim tão confortável. O tenista suíço não vinha jogando bem este ano em Wimbledon, como ele mesmo reconheceu após o jogo. "É claro que estou muito contente", disse. "Vinha enfrentando muitas dificuldades no torneio, mas ainda me senti capaz de produzir um tênis fantástico hoje".
Todos esses números de Federer são realmente impressionantes. Mas, não resta dúvida, de que o suíço gosta de outros números também. Aos 30 anos, ele é considerado como o jogador de maior faturamente, bem superior a de seus principais rivais no momento, como Rafael Nadal e o próprio Novak Djokovic. Um recente artigo da Forbes revela que o suíço somou US$ 45 milhões nos últimos 12 meses, em patrocínios, garantias e exibições. Este número também é fantá$tico, assim como o seu jogo. Ele está prestes a desbancar Tiger Woods, pois enquanto o golfista atravessa um período de turbulência, o tenista mantém-sem em alta.
O mesmo artigo diz que só com patrocínios Roger Federer fatura US$ 30 milhões. A Nike é a sua mais bem remunerada associação. Mas ele ainda assina com Rolex, Wilson, Credid Suisse e Gillette. Com este último patrocinador um interessante dado constata o forte prestígio do tenistas. A empresa tinha acordos com o futebolista Thierry Henri e com Woods, mas manteve apenas o contrato com Federer.
Não há dúvidas de que ele é também talentoso e habilidoso com os negócios. Neste final de temporada, ele estará na América do Sul e seu cachê, segundo o artigo da Forbes, gira em torno de US$ 1 milhão. Não se se trata de uma exorbitância. Acredito que se estão pagando é pelo fato de ter seu valor. Penso que mais importante do quanto custa é quanto pode gerar. E Federer mostrou que ainda há muito tênis, depois dos 30.
Night session muda hábitos no SW-19
às
10h35 - por
Chiquinho Leite Moreira
Novak Djokovic e Roger Federer seguem em rota de colisão, no que seria o encontro mais badalado do torneio deste ano. O esperado duelo carrega muito mais do que uma possível nova liderança do ranking. Ganhou novos contornos com a possibilidade de ser disputado com o teto fechado na quadra central, por causa da previsão de tempo instável ao longo da semana em Londres. É claro que ambos ainda têm uma rodada pela frente, mas esta semifinal já é comentada com entusiasmo desde o sorteio das chaves.
Quadras com o teto fechado - indoor - sempre sugeriram jogos mais rápidos, por causa da ausência do vento ou da interferência do sol. Mas não é o que anda se falando em Londres. Roger Federer, com toda sua autoridade, decretou recentemente: "É claro que a superfície não é mais rápida como antes". Sua declaração veio de encontro com a opinião do novo jardineiro do All England Club. Eddie Seaword disse que não se trata de ter um tipo de grama mais lenta, mas sim que o piso está mais duro, o que proporciona quiques de bolas mais altos. Assim, o tenista passa a ter um tempo a mais de reação, o que poderia sugerir uma superfície lenta. A briga de interpretações é boa. Talvez por isso, Djokovic tenha deixado de lado este tipo de discussão e jogou no ar mais um motivo de preocupação aos seus adversários. O sérvio disse, depois de vencer o compatriota Troicki, que a cada rodada se sente mais bem adaptado às condições de teto fechado em Wimbledon.
Tudo isso coloca ainda mais pimenta nesta esperada semifinal de Wimbledon. Enquanto Roger Federer busca a liderança do ranking e vem enfrentando problemas com dores nas costas, Djokovic diz não se preocupar com o ranking, mas vem jogando cada vez melhor.
Em tese uma quadra rápida poderia favorecer ao estilo de Federer. Mas não parece mesmo que isso esteja acontecendo. Há várias explicações para os jogos cada vez mais longos, mesmo na grama. O material das raquetes está mais sofisticado e gerando precisão. Especialmente as cordas ganharam importância fundamental no estilo de jogo dos tenistas. Estive em Roland Garros pesquisando a calibragem dos profissionais e muitos e muitos deles estão usando cerca de apenas 40 libras em cordas de multifilamento. Tudo isso, melhora o desempenho e a confiança dos jogadores para os golpes de fundo de quadra, o que se justifica a ausência do estilo saque e voleio, assim como a classificação de David Ferrer para as quartas de final.
Os jogos mais longos estão mudando os hábitos em Wimbledon. Inaugurado em 2009, só agora os efeitos do teto retrátil estão aparecendo. Nos outros anos, praticamente não houve interferência da chuva. Mas agora em 2012 o torneio inglês ganhou a chamada night session não oficial. A sessão noturna faz parte do US Open, o Australian Open e está nos planos de Roland Garros para 2017. Wimbledon não pensou nisso, mas é o que está acontecendo.
Os organizadores já informaram que nenhuma partida poderá prosseguir depois das 11 da noite. O pessoal da TV fez cara feia. Afinal, o jogo de Andy Murray vs Marcos Bagdatis, que invadiu a noite londrina, registrou uma audiência de mais de oito milhões de pessoas. O público também sorriu, pois com a garantia de partidas até mais tarde, não se corre o risco de perder o valor pago pelos ingressos.
O SW-19, subúrbio onde fica o All England Club, está afastado do centro de Londres. O transporte público encerra-se a meia noite. O único pub do Wimbledon Village alerta para o 'last drink' às 23 horas. Assim, os arredores de um bairro tranquilo transformaram-se em agitadas noites, com milhares de pessoas perambulando pela redondeza, meio sem destino, tentando comer e beber algo em Southfields, na verdade, a estação de metrô mais próxima do clube.