Roger Mozart de Hollanda
às
15h28 - por
Chiquinho Leite Moreira
Quem viu Pelé jogar não esquece. Fala de boca cheia das jogadas magistrais do mais famoso camisa 10 da história. Tornou-se verbete de dicionário. E, por isso, não acho que seria exagero dizer que Roger Federer é o Pelé do tênis. Como fã do tênis vou ainda mais longe. Acho que ter a oportunidade de ser contemporâneo deste gênio da raquete é talvez o mesmo sentimento dos que viveram os dias criativos de Wolfgang Amadeus Mozart. Sinto-me ainda um privilegiado por ser do mesmo tempo de Chico Buarque de Hollanda, outro gênio a ser venerado por diversas gerações. Ver o Chico cantar... compor, escrever é inesquecível. Quem também gosta de tênis, mesmo pela televisão, está vendo Roger Federer mostrar sua arte, escrever um capítulo da história do esporte e autor de jogadas que podem ser vistas como obras de arte.
Não vejo que este título de Wimbledon tenha sido o 'canto do cisne', como chegaram a me perguntar. É claro que ele não vai ficar trocando bolas por quatro ou cinco horas. Mas se surgir uma oportunidade, nas condições de Wimbledon deste ano acredito que não deixe escapar. O torneio estava bom. Mesmo tendo encontrado dificuldades nas primeiras rodadas, o destino lhe proporcionou ambiente mais adequado ao seu estilo nas partidas decisivas. O teto fechado fez o seu saque funcionar de forma decisiva e a velocidade do jogo foi bem mais conveniente do que a céu aberto.
Seu foco deverá estar mais apontado para os grandes momentos. Seguirá investindo nos Slams. E na sua atual condição, de pouca ou praticamente nenhuma pressão, enfrentá-lo em situações decisivas passa a ser ainda mais complicado. Mesmo perto de completar 31 anos, acredito que para ele chegar as semifinais não se trata de uma surpresa. Nesta altura do campeonato, tê-lo soltinho da silva, certamente não é um encontro agradável para qualquer adversário.
Assim, se as oportunidades surgirem, as condições estiverem favoráveis acredito que Roger Federer ainda possa conquistar outros títulos de Grand Slam. Nesta sua atual escalada será p'ra lá de interessante vê-lo jogando novamente, dentro de apenas mais alguns dias, na grama de Wimbledon pelo Torneio Olímpico. E quem sabe os deuses gregos não o inspirem a novas criações geniais como Mozart ou Chico.