Ouro olímpico vale liderança
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16h46 - por
Chiquinho Leite Moreira
Há 44 países representados no torneio olímpico de tênis. E se a gente for lembrar que a modalidade por alguns anos serviu apenas de demonstração e em tantas outras nem sequer participou dos Jogos, este evento de Londres está bem valorizado. Tanto no masculino, como no feminino a medalha de ouro pode significar também a liderança dos rankings da ATP e WTA.
A ITF (Federação Internacional de Tênis), assim como faz habitualmente nos Slams e na Davis, manda diariamente um informativo olímpico sempre recheado de informações, estatísticas e curiosidades. No de hoje, avisa como está a corrida pela posição de número um do mundo. No masculino, Roger Federer precisa chegar as quartas de final, para evitar que Novak Djokovic recupere a liderança. Se os dois atingirem as quartas de final, o tenista suíço terá de terminar uma rodada à frente, ou vencer o sérvio numa final olímpica para manter sua atual posição.
No feminino, Maria Sharapova poderá recuperar a liderança do ranking mundial se ganhar o ouro olímpico, numa briga com Victoria Azarenka que também manteria a liderança com a medalha de ouro.
Chega a ser bastante interessante e, talvez, discutível ao fato de o torneio olímpico ter esta importância nas posições do ranking. Afinal, não é uma competição aberta, como todas as outras do circuito, em que qualquer tenista tem o direito de disputar. Na Olimpíada existe uma limitação de no máximo quatro jogadores por país. E isso, de certa forma, tiraria o direito de um jogador lutar pelos pontos do ranking. Vamos supor na existência de um tremendo especialista em quadras de grama e que estaria a ponto de se colocar entre os cem primeiros para garantir um lugar no US Open. Ora, este tenista teria total interesse em jogar em Wimbledon, mas provavelmente ficaria impossibilitado até de disputar o qualifying, que na Olimpíada não existe.
Mas são coisas do Monte Olimpo, onde os deuses conseguem encher os corações de emoções e o mais distante dos atletas sentir de perto o patriotismo. São situações, ao meu ver, subjetivas mas o verdadeiro atleta - como se diz - coloca os Jogos Olímpicos à frente de seus interesses pessoais e até mesmo profissionais. Por isso, me pergunto o que levou Rafael Nadal a convocar toda a imprensa espanhola no comitê olímpico de seu país para falar de seu esforço em estar 100% fisicamente e jogar pela pátria. Dizer que a Olimpíada é o evento mais importante na carreira de um atleta. De colocar a bandeira espanhola no seu colo e enfatizar a emoção em ter sido o escolhido como porta bandeiras. E alguns dias depois, ele anunciar sua desistência dos Jogos de Londres. Será que ele já não sabia que não seria possível recuperar o joelho? Bem, ele deve saber onde o calo dói.
E por falar em porta bandeira, nestas curiosidades do Monte Olimpo, oito tenistas foram escolhidos para liderar a delegação de seus paíeses no desfile de abertura: Marcos Bahdatis (Chipre), Novak Djokovic (Sérvia), Agnieszka Radwnska (Polônia), Maria Sharapova (Rússia), Max Mirniy (Bielo Rússia), Horia Tecau (Romênia), Stephanie Vogt (Liechtenstein) e Stanislas Wawrinka (Suíça).
Na série curiosidades: o All England Club já serviu como sede para o torneio olímpico de tênis de 1908. Mas era na antiga sede de Worple Road.
Mais uma: três tenistas estão em busca do Golden Slam. São eles Roger Federer, Serena Williams e Maria Sharapova. Todos já venceram os quatro Grand Slams mas falta o ouro em simples.
Para a rodada de abertura destaco os jogos de Serena e Jelena Jankovic, na central. Logo após Roger Federer vs Alejandro Falla. Na quadra 14, Thomaz Bellucci e André Sá pegam os irmãos Bryans. Também pela adjacências, Marcelo Mello e Bruno Soares desafiam os norte-americano John Isner e Andy Roddick.
As cores invadem Wimbledon
às
14h53 - por
Chiquinho Leite Moreira
Pela primeira vez em sua centenária história as cores irão tomar conta das quadras de Wimbledon. O All England Lawn Tennis and Croquet Club sempre exigiu que os jogadores seguissem a tradição de ter o branco como predominante em seus uniformes. Mas, desta vez, os deuses do Olimpo mostraram seus poderes. Assim, aos tenistas do torneio olímpico não só será permitido, como haverá um incentivo para se usar as cores de seus países.
Esta transformação também dará uma nova atmosfera ao torneio em Wimbledon. Normalmente o público do Grand Slam inglês é bem tradicional, contido, sem tanta descontração e barulho. Para o Slam, os ingressos costumam estar nas mãos do mesmo grupo de pessoas há décadas e os que conseguem comprar entradas incorporam o clima ameno. Lembro certa vez, que na primeira semana choveu muito, em Londres. Por isso, após muitos e muitos anos houve a necessidade de se realizar rodada no primeiro domingo. Com isso, ingressos específicos para este dia foram colocados à venda ao público geral. Por coincidência ou não, esta foi a primeira vez na história em que a torcida fez a 'ola' na quadra central do All England Club.
Apesar da possibilidade de manifestações pouco usuais no chamado templo do tênis, os conservadores dirigentes do All England Club abriram as portas para o maior evento do esporte mundial. Ao torneio olímpico será permitido o uso de 12 quadras, incluindo a venerada central. Apenas as quadras dois e três ficarão reservadas para treinamentos e aquecimentos antes das partidas. O ground estará disponível para o Comitê Olímpico Internacional colocar suas cores e seus patrocinadores.
A descontração está liberada, garantida com as cores e paixões de 44 países participantes do torneio olímpico. Serena Williams já disse que acha estranho não ter de usar o branco na competição. Mas, a norte-americana, conhecida por peças extravagantes não vai agora querer dar uma de conservadora, justamente na festa do povo em Wimbledon. Roger Federer que já fez a quadra central parecer a sala de estar de sua casa confirmou que após quebrar praticamente todos os recores do esporte, seu sonho é o ouro olímpico em simples.
As medalhas do torneio olímpico estão valorizadas. Num acordo entre ITF, ATP e WTA, os pontos a serem distribuidos são bem atraentes. No caso do masculino fica entre um ATP 500 e um 1000. O ouro vale 750 pontos, a prata 450 e o bronze 340, para o feminino, respectivamente, 685, 470 e 340. O bronze é decidido antes das finais entre os semifinalistas.
Para os principais tenistas do mundo, acredito que mais importante do que pontuação está a importância de uma medalha olímpica. Vejo que podemos dividir os profissionais em dois grupos: os que jogam pelo dinheiro e os que jogam pela glória. Neste último caso - é claro que em relação a Olimpíada - estão Roger Federer, Novak Djokovic, Maria Sharapova. Afinal, já faturam tanto que não estarão preocupados com o valor do cheque que normalmente acompanha o troféu nas competições do circuito.
Para defender o espírito olímpico estarão em quadra jogadores que em teoria não teriam muitas chances de medalhas. Mas faz parte desta festa estar no clima, na vila olímpica, participar e até tietar os grandes astros do esporte. Mas, no caso do tênis fica um aviso para o jogador Lucas. Ele anunciou que queria tietar Maria Sharapova em Londres. É bom então aproveitar a festa de abertura, em que a tenista russa levará a bandeira de seu país. Depois, certamente, não ficará dando sopa pela Vila. Ela, assim como Federer, Djokovic, entre outros hospedam-se em hotéis luxuosos. Um deles é o Montcalm, em Marble Arch. Outros preferem voltar às casas que alugam próxima ao clube, no Village, a minutos de distância do All England Club. Assim, podem estar totalmente concentrados na competição.