Chiquinho Leite Moreira é um dos mais respeitados jornalistas brasileiros especializado em tênis. Trabalhou em diversos jornais, entre eles o Estado de S. Paulo. Tem 25 anos de Roland Garros, 20 de US Open, 18 Wimbledon e cinco Australian Open, entre outros torneios do circuito. Revela sua experiência com histórias de bastidores e informações diferenciadas. Atualmente apresenta o Ace B andsports, todas as terças-feiras, no Bandsports.


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US Open Series - dinheiro p'ra que dinheiro
às 09h32 - por Chiquinho Leite Moreira

"Dinheiro p'ra que dinheiro se ela não me dá bola", o plagio a Martinho da Vila se justifica com o mais milionário tour do tênis: o US Open Series. Criado em 2004 para aumentar a audiência na televisão, a série de torneios na América do Norte está à sombra dos Jogos Olímpicos. Roger Federer ainda não apareceu, Rafael Nadal só vai para Nova York, Andy Murray precisa de descanso depois do ouro, enquanto Novak Djokovic festeja sua volta às quadras sintéticas. Enfim, p'ra que dinheiro se ela (a mídia) não me dá bola, pois com a briga pelas medalhas em Londres, o tênis não vem dando um retorno condizente aos valores do investimento, como reclamam alguns colegas americanos. Pode-se dizer que o mesmo acontece no Brasil, pois realmente não se poderia exigir que as tevês deixassem de transmitir a Olimpíada para colocar um torneio de tênis. É plenamente aceitável, na minha opinião...

Mas, é realmente uma pena que isso aconteça, pois esta série de torneios é maravilhosa, que antigamente era conhecida como temporada norte-americana de quadras duras. Os Masters 1000 e WTA Premiers são grandiosos e até mesmo as competições de menor premiação costumam contar com organização gigantesca, ao verdadeiro estilo norte-americano. Montreal e Toronto também revelam estruturas incomparáveis a diversos Masters 1000 da Europa. Se, por exemplo, colocarmos lado a lado Cincinnati a Monte Carlo o Principado desaparece frente ao complexo americano, mesmo Cincy levando a fama de ser em 'middle of nowhere', ou seja, está longe de um grande centro, mas compensa este fato com a facilidade de acesso.

A tendência é que tudo volte ao normal nos próximos dias. Mas o US Open Series começou faz tempo. A grana já está solta. Este ano, por causa desta série, o US Open poderá pagar, potencialmente, o maior prêmio da história chegando a US 28,1 milhões. Dentro de uma tabela, os três primeiros jogadores do masculino e feminino recebem bonus proporcionais às suas campanhas no Grand Slam americano. Isso já estabeleceu incríveis recordes de premiações. Em 2005, Kim Clijsters - primeira colocada no US Open Series e campeã do US Open - embolsou um cheque de US$ 2,2 milhões. Este, na época, foi o maior prêmio pago a uma atleta, num só dia. Roger Federer fez o mesmo alguns anos depois ao ganhar US$ 2,7 milhões.

Esta briga milionária não deve acontecer este ano. Afinal, as principais estrelas do tênis, tanto no masculino como no feminino, tiveram de alterar seus calendários para atender a Olimpíada. Mas, ainda assim, o sol do verão americano deverá iluminar o US Open, que está chegando com enorme expectativa.


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Ouro alivia pressão ao GB Murray
às 18h31 - por Chiquinho Leite Moreira

Assisti boa parte da final masculina do Torneio Olímpico ao lado do nosso GB. Não... não se trata de qualquer integrante do time da Grã Bretanha. Mas sim do bom baiano Givaldo Barbosa. Ele que já pisou por vários anos na grama sagrada de Wimbledon esteve como convidado do Bandsports para um especial de Wimbledon, comandado pelo também amante do tênis Elia Jr. Já conheço o Gica há muitos anos. Desde os tempos em que frequentávamos a Casa do Brasil, na 49 Lancaster Gate, ao lado do Hyde Park, em Londres, e por vezes chegava do All England Club e era surpreendido com ingressos dos fantásticos musicais, deixados no meu quarto. Como tenista da chave, tinha direito a alguns ingressos e recorria a outros jogadores que não se interessavam pelos espetáculos e angariava tickets para todos nós. Vi Starlight Express, de graça. Essa veia artística sempre esteve marcante na carreira deste bom jogador que se adaptava bem às então rápidas quadras de grama. Hoje, costuma participar de algumas apresentações do grupo de Oswaldo Montenegro e faz de tudo para ter os amigos na platéia.

 Para mim estar ao lado de Givaldo neste especial do Bandsports foi um privilégio. Nas conversas em off - fora do ar - recebi lições de tênis. Jamais tive esta oportunidade de reparar no poder de observação do Gica. Ver o jogo entre Federer e Murray pelos seus olhos foi como descobrir, desvendar alguns enigmas. Em poucas palavras avisava-me o que estava acontecendo e já previa o resultado. Certa hora chamou atenção para uma característica. Disse... 'Chiquinho você reparou que o Murray não errou uma direita até agora?" Parei para refletir e logo percebi que a mão de Ivan Lendl estava em ação. O ex-número um do mundo, hoje treinando o escocês, era uma verdadeira 'carne de pescoço'... com uma regularidade incrível. Gica fez ainda outras observações sobre Federer. De que a bola do suíço não estava próxima às linhas e que a quadra parecia muito lenta para Wimbledon.

Numa dessas coincidências, ao ler as notícias sobre a final masculina, vindas pela assessoria da ITF, Murray estava agradecido justamente a Ivan Lendl. O escocês revelou que o tcheco jamais havia treinado um britânico e mesmo assim percebeu a pressão exercida por toda a Grã Bretanha a um jogador atuando em Wimbledon. Mas foi justamente ao final do Grand Slam inglês que Lendl enfatizou seu trabalho a este aspecto. Elogiou a atuação de seu pupilo, mesmo depois da derrota na final. Acredito que de certa forma isso foi fundamental para Murray entrar no torneio Olímpico com outra percepção. A ponto de reconhecer que o ouro olímpico vai aliviar em muito a pressão de ainda não ter conquistado um Grand Slam. Mostrou que está muito próximo desse objetivo também. 


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