A hora de parar
às
11h22 - por
Chiquinho Leite Moreira
Pode parecer fácil para alguns, mas no caso dos que alcançaram tanto sucesso, atingiram a posição de número um, como Kim Clijsters e Andy Roddick tomar a decisão de parar deve ser muito difícil. Acho que poucas carreiras são tão exigentes como a de um tenista profissional. Exige dedicação desde praticamente a infância. Comparo a um pianista com nove anos de estudo e treinos e treinos para estar apto a um concerto.
Para Guga, por exemplo, o anúncio da aposentadoria foi um drama transmitido em rede nacional que fez o País chorar. Para Kim Clijsters houve até um arrependimento. Foi e voltou e agora despediu-se para sempre, aos 29 anos. Confesso ser fã da tenista belga, como era de Justine Henin. Só pude ver o primeiro set de sua derrota para Laura Robson, pois no mesmo horário tinha um compromisso com o Magazine Bandsports. Mas o resultado revelou que não haveria outro caminho a ser seguido. Clijsters liderava o jogo por 5 a 2. Perdeu no tie break. Em outros tempos não acredito que deixaria escapar a vitória.
Jogadores como Clijsters, Roddick e Guga estão acostumados às vitórias, conquistas. Quando por um motivo ou por outro já não conseguem mais o mesmo sucesso, parece que o destino é mesmo pendurar a raquete.
Fiquei triste com o adeus de Clijsters e impressionado, surpreso, com o de Roddick. O norte-americano revelou humildade ao confessar que não se definia como um talentoso. Tudo o que conseguiu, e não foi pouco, veio através da persistência. Uma declaração destas, de certa forma, leva-me a entender um pouco melhor a decisão do jogador. Afinal, para quem o ouve falando assim, jamais poderia imaginar que ele como juvenil e no início da carreira profissional era um tipo odiado. Se não me engado, certa vez, deixou a final da Copa Gerdau, deu de ombros em busca de outros interesses e sem muitas justificativas deixou os organizadores a ver navio. Na quadra era meio Hewitt.. aquele tipo encardido.
De repente, Andy Roddick passou a ter outro comportamento. Muita gente criticou a mudança, pois o norte-americano não estava mais ganhando tantos jogos. Diziam que tinha perdido o seu espírito 'matador'. Mas não sei se ele chegaria àquela memorável final de Wimbledon, diante de Roger Federer, se tivesse deixado de lado o seu jeito competitivo.
Enfim, acho que o tênis perde com a aposentadoria destes dois astros no US Open. Mas ambos devem ter suas razões. Eu acredito que uma delas é a de não suportar as derrotas. Afinal, são ganhadores e esta é a imagem que guardarei de Clijsters, a genial tenista belga, e Roddick, de bandido a mocinho.
Blockbuster tênis, em NYC e Sampa
às
11h18 - por
Chiquinho Leite Moreira
Justamente no dia de abertura do torneio de arrasar o quarteirão, o US Open, surge no Brasil também o anúncio de uma estrondosa exibição. A Koch Tavares confirmou a vinda de um dos maiores jogadores de todos os tempos, Roger Federer, no Gillete Federer Tour. O evento vem com surpreendentes boas notícias. Além do atual número um do mundo, o Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, irá receber de 6 a 8 de dezembro jogos com tenistas da qualidade de Jo Wilfried Tsonga, Thomaz Bellucci, além de Serena Williams, Maria Sharapova, Victoria Azarenka e Carolina Wozniacki, todas que já ocuparam a liderança na WTA. Sem contar ainda com a dupla mais famosa do tour, Mike e Bob Byan, que enfrentará Marcelo Melo e Bruno Soares.
Durante o Brasil Open, o Ibirapuera já ficou lotado, até mesmo em jogos entre tenistas estrangeiros, como aconteceu na decisão do título. Imagino como serão estes dias em São Paulo. A briga por ingressos promete, para este evento sem precedentes no País.
Mesmo com esta boa notícia para a torcida brasileira, todas as atenções do mundo do tênis nesta semana estão para Nova York. O US Open é o segundo mais antigo evento de esportes dos Estados Unidos. Começou em 1881 com o nome de US National Championship e só perde em anos de realização para a corrida de cavalos Kentucky Derby (1885).
Uma virtude do US Open é a de atualizar-se e adequar-se aos novos tempos, sem perder a memória e respeito ao seu passado. Para mim é o mais festivo dos torneios do Grand Slam, um verdadeiro blockbuster. Certa vez, o ex-tenista e treinador Marcelo Meyer definiu como a Disneylândia dos amantes do tênis e passei a copiar a idéia. Não há atmosfera mais eletrizante do tênis mundial como uma sessão noturna no Arthur Ashe Stadiun. Ganha fácil do que se via no Louis Armstrong - hoje uma reduzida quadra - mas que também marcou o estilo festivo. O primeiro jogo noturno do torneio foi em 1975, com a vitória do neo-zelandês Onny Parun sobre o norte-americano Stan Smith, ainda na antiga sede de West Side Tennis Club.
A mudança para o popular bairro de Queen's (por isso muita gente poderá contestar o título desta coluna citando NYC) também levou a USTA a homenagear os ícones locais, como o músico Armstrong. A primeira noite do evento celebra outro destaque do que os norte-americanos chamam de 'afro american', com os 50 anos do primeiro título de Althea Gibson. A primeira negra a ser campeã do US Open receberá uma festa com participações de Roberta Flack e Aretha Franklin. Não sei se as tevês transmitem estas apresentações preliminares à partida, mas é também um grande show. Na platéia, para aparecer no grande telão, estarão nomes como os de Stanley Tuci e Alec Baldwin.
Enfim, não há dúvidas de que os americanos sabem promover um evento. E pagam bem para isso. Os campeões de simples receberão um cheque de US$ 1,9 milhão. No caso de Novak Djokovic defender o título irá somar US$ 1 milhão de bônus, por ter terminado como líder po US Open Series.