Davis: um bom negócio para Rio Preto
às
11h21 - por
Chiquinho Leite Moreira
Se no futebol existe o chamado 'caldeirão', no tênis podemos dizer que apareceu a 'friguideira' de fritar russos, em São José do Rio Preto. Não foi decisivo, mas o calor no interior paulista ajudou o Brasil a abrir a vantagem de 2 a 0 e caminhar rumo ao Grupo Mundial. Ironias a parte, a escolha de uma sede de um confronto da Copa Davis passa por uma série de ítens. Começa pelo aspecto técnico, de dar vantagens ao time da casa, passando pela logística e investimento.
São José do Rio Preto recebe pela segunda vez um confronto da Copa Davis. E acredito até que dependendo do próximo adversário do Brasil, a cidade pode se candidatar a orgnizar um jogo pelo Grupo Mundial. Aliás, já tivemos Brasil e Estados Unidos certa vez, em outra potência do interior paulista, em Ribeirão Preto, além de Bauru e Sorocaba.
O interior paulista, pelo que sei - e confesso que esta não é minha área - trata-se da segunda economia do País, só perdendo para a Capital de São Paulo e à frente do próprio Rio de Janeiro. Não se trata de bairrismo não, mesmo porque acredito que os cariocas devam receber em breve grandes eventos de tênis, passando pelos ATPs 500 e Finals, culminando com a Olimpíada de 2016.
E foi justamente uma conversa com um grupo de cariocas, durante o café da manhã, em Rio Preto, que inspirou esta coluna. Estes torcedores viajam o Brasil para assistir torneios e confrontos da Davis. Assim, como eles centenas de outras pessoas fazem a mesma coisa. Resultado: São José do Rio Preto está lotada este fim de semana. Foi difícil conseguir hotel. As arquibancadas do Harmonia Tênis Clube estiveram cheias e a estrutura do local agradou, além, é claro, do espírito hospitaleiro da população da cidade, representado pelo dirigente do clube, Aimar, um simpático anfitrião, que 'passeia' de chapéu panamá, conversando, dando boas vindas a todos os visitantes.
Li recentemente sobre o bom momento do tênis brasileiro e o interesse por bons espetáculos. Desde a realização do Brasil Open, no ginásio do Ibirapuera, constatou-se que existe sim público para o tênis. O tour de Roger Federer também confirma esta tendência, mesmo com preços de ingressos acima do esperado.
Por tudo isso, a CBT que precisou garimpar locais para realizar os confrontos da Davis, deve agora respirar um pouco mais aliviada, pois, certamente, haverá muito interesse em realizar um confronto do Grupo Mundial, em se confirmando a tendência de vitória brasileira neste fim de semana.
Davis: agora vai
às
21h55 - por
Chiquinho Leite Moreira
O Brasil já teve boas chances de voltar ao Grupo Mundial da Copa Davis. Mas acredito que esta agora seja a melhor oportunidade dos últimos tempos. O time brasileiro está consistente. Podem criticar Thomaz Bellucci, mas sinceramente gostei da forma que atuou nos últimos confrontos, chamando a responsabilidade, batendo no peito, enfim, assimilando o espírito desta competição. Olho ainda mais para frente. Resultados positivos na Davis podem ser a injeção de ânimo, o ponto de confiança para dar um novo ritmo à carreira do nosso tenista número 1.
Rogerinho também cresceu bastante nos últimos tempos. Li uma notícia em que ele dizia que aos 28 anos sente-se no melhor momento. Juro que fiquei surprso... não por enfatizar sua boa fase, mas por revelar a idade. Ora, tinha em mente que era ainda bem mais novo. Sei lá, vi o pai dele jogar, o tio e talvez isso faça com que a gente sempre ache que está diante de um menino. A idade para tenistas brasileiros não deve ser vista como um problema. O nosso amadurecimento costuma ser um pouco mais demorado. Isto já faz tempo. Lembro que Carlos Alberto Kirmayr também chegou ao auge de sua carreira numa idade mais avançada.
Além destes dois nossos jogadores de simples, não se pode negar que o momento da dupla ainda é mais animador. Bruno Soares vem de um título inesquecível no US Open e reencontra-se com o velho parceiro, o também mineiro Marcelo Melo.
Para colaborar com tudo isso, dizem que São José do Rio Preto tem um sol para cada um. Para os russos, o calor poderá ser forte adversário. Apesar de eu, aliás, ter uma teoria não muito ortodoxa. Acredito que o calor vitime muito mais o atleta que estiver em más condições físicas, do que propriamente aquele que não está acostumado as temperaturas altas. Um detalhe que confirma esta teoria é que no calendário do tênis a maioria dos importantes eventos disputa-se durante o verão... no auge da Austrália, a exceção fica para a primavera de Paris, ou mesmo para a chuva de Londres, mas o US Open está debaixo de um forte sol.
Também não concordo muito com aqueles que julgam que o Brasil não merece estar no Grupo Mundial. Se o tênis brasileiro não tem os recursos a a estrutura de países como Estados Unidos, França ou Grã Bretanha, certamente o trabalho da CBT tem sido elogiável. Para mim o termômetro está nos próprios tenistas. Entre os profissionasi não vejo nem dos mais velhos, nem dos mais novos reclamações. Pelo que sei costumam ter ajudas signficativas como passagens, apoios dos Correios, patrocinador oficial da confederação, enfim, bem diferente de outros tempos em que, por exemplo, os integrantes da equipe da Copa Davis costumavam convocar entrevistas coletivas para usar a imprensa como instrumento de cobrança aos prêmios atrasados.
Para este confronto em Rio Preto, a Rússia está surpreendente. Primeiro pelo fato de não ter vindo com Nikolay Davydenko ou Mikhail Youzhny. Depois pela estratégia de tirar Alex Bogomolov, como o número um, forçando Rogerinho a enfrentar Igos Andreev logo na primeira rodada. Foi uma cartada do técnico russo Shamil Tarpischev. Se vai dar certo ou não, só vamos saber nesta sexta-feira.
Agora é Murray de um lado e a Rainha do outro
às
16h37 - por
Chiquinho Leite Moreira
A pressão para ganhar um Grand Slam sempre infernizou a vida de Tim Henman. Desesperados pelo fim do jejum, os britânicos chegaram até mesmo a 'importar' um tenista. Deram cidadania ao canadense Greg Rusedski confiando que a força de seu saque fosse o suficiente para levantar um troféu na grama de Wimbledon. Nem é preciso enfatizar o grau de frustração com os fracassos. No caso de Andy Murray, ele era britânico enquanto vencia e transformava-se em escocês assim que fosse eliminado de um torneio.
Agora, não há dúvidas de que de um lado do coração dos britânicos está Murray e do outro a Rainha. Será venerado para sempre. Entrou para a história de um país que cultiva as tradições e investe milhões e milhões no tênis. Esta façanha do escocês deverá até mesmo facilitar a vida de outros jogadores do Reino Unido. Levam de herança a confiança necessária para prosperar num esporte tão traiçoeiro e mental como o tênis.
Não sem merecimentos, Murray já havia batido na trave por quatro vezes. Chegou as finais do Aberto da Austrália em 2010 e 2011, à decisão de Wimbledon deste ano e do próprio US Open em 2008. Pode se falar o que quiser. Mas quem chega numa final tem sim muitas chances de conquistar o título. Lembro de certa vez um encontro entre Steffi Graf com Arantxa Sanchez. Os espanhóis estavam até meio preocupados e sem jeito com o que poderia acontecer naquela final de Roland Garros. Esperavam que Arantxa pudesse tirar pelo menos um ou dois games da alemã. No final, saiu-se como campeã.Os outros falavam, especulavam que Steffi estava com problemas físicos. Não sei. Só sei que perdeu, numa das maiores zebras da história do torneio.
Sou fã do Ivan Lendl. Mas não é por isso, que acredito muito que boa parte deste troféu tenha a sua participação. Realmente não é um tipo simpático. Certa vez comprei uma foto para a capa de uma revista brasileira, quando o então tcheco foi campeão de Roland Garros. O Zé Nilton deu de título "Cara de Mau, Gênio de Campeão". É isso mesmo para vencer neste esporte é preciso chegar aos limites. É imprescindível seriedade. Lembro que o Cássio Motta costumava contar que o tcheco quando mudou-se para os Estados Unidos construiu uma quadra em sua casa com sensores. De um lado um canhão disparava bolas e Lendl rebatia em busca de pontos estratégicos. Depois, os sensores mostravam o seu nível de acerto. Parece loucura... mas seu jogo era assim mesmo, meio programado. Nunca o vi sorrindo abertamente. Apenas uma exceção. Certa vez em Miami, entrou rindo à toa naquele terracinho em que ficam jogadores, famílias, agentes. Fiquei surpreso, pelo sorriso e, especialmente, pelo tamanho de sua barriga. Contava aos amigos que tinha se dedicado ao golfe.
Para o tênis sua volta foi triounfal. Em boa forma na arquibancada, Lendl revelou aos mais novos seu estilo carrancudo. Gostei muito, quando Murray fez menção ao seu econômico sorriso. O próprio campeão também não foi eufórico, espalhafatoso em sua comemoração. Manteve a fleuma britânica, de um escocês legítimo.
A volta por cima de Serena
às
21h31 - por
Chiquinho Leite Moreira
Depois de pisar num vidro, sofrer com uma séria lesão no joelho e um coágulo pulmonar que colocou em risco sua volta às quadras, parece que nada mais assusta Serena Williams. Nem mesmo 5 a 4 e saque para Victoria Azarenka na final de Nova York. A tenista norte-americana deu a volta por cima em 2012. Ganhou seis títulos, entre eles dois Grand Slams - Wimbledon e US Open -, e o ouro olímpico em Londres.
Não sei se é preciso passar por dificuldades, crises, para aprender a lidar com as dificuldades. Mas acho que ajuda. Sua atitude em quadra, com ar sério e solene, rigidamente concentrada, foi marcante. Depois de vencer o primeiro set com certa facilidade, acabou sendo envolvida pelo bom jogo da adversária. E se Azarenka tivesse vencido o jogo, acho que também seria justo, pelo que apresentou. A bielo russa falhou, sentiu a responsabilidade em certos momento. Isto ficou claro com algumas bolas na rede. Mas não deu de presente o título. Serena brigou por ele e mereceu.
Aos 30 anos, Serena mostrou-se muito mais amigável, amistosa. Seu carinho diante de Azarenka na entrega dos prêmios revelou uma atitude de digna campeã. Preocupou-se com a frustração da perdedora. Uma atitude diferente de alguns anos atrás. Não apreciava a insistência da americana em desdenhar adversárias. Lembro bem que quando a russa Dinara Safina ocupava a liderança do ranking mundial, Serena dizia que seria lembrada pelo número de títulos de Grand Slams (agora 15) do que propriamente pelo número de semanas que ocupou a liderança do ranking mundial. Acho que agora, ela já está novamente em condições de lutar pela e valorizar a posição de número um, ainda nas mãos de Victoria Azarenka. Enfim, deu a volta por cima na quadra e na vida.